Advogado de ex-vereador nega confissão ao MP
O depoimento que o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) prestou ao Ministério Público (MP), no último dia 10, e no qual confessou extorquir três empresários para que intermediasse aprovação de projetos de lei ''nem prova é'' para incriminá-lo. A avaliação é do advogado criminal de Barros, Antônio Carlos Coelho Mendes, que compareceu ontem à sessão extraordinária em caráter especial, da Câmara, na qual assistiu à leitura, em Plenário, da carta de renúncia do ex-peemedebista. O documento fora protocolado por Mendes na véspera, às 18h35, diretamente ao presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB). Se isso não acontecesse, a sessão de ontem poderia instaurar uma Comissão Processante (CP) e, no futuro, terminar até com a cassação do mandato.
A sessão durou exatos 10 minutos - três deles dedicados à publicidade do documento, lido pela vice-presidente da Câmara, vereadora Maria Ângela Santini (PT). Além do denunciado, estiveram ausentes ainda os vereadores Jamil Janene (PMDB), Orlando Bonilha (PR) e Sandra Graça (PP); esta, a única com justificafiva documentada (motivos de saúde).
No documento, Barros alegou que a decisão pela renúncia teria uma única motivação: ''Minha preocupação com que o processo político-administrativo prestes a ser instaurado nesta Casa - objetivando apreciar e deliberar sobre pleito de cassação de meu mandato - possa ser conduzido a um julgamento precipitado, sob a indesejável e indevida influência de fatos que vêm sendo veiculados pelos meios de comunicação e que se mostram extraídos de dados e elementos meramente indiciários e ainda pendentes da necessária e correta apreciação pelo Poder Judiciário''.
No dia 10 passado, Barros foi preso em flagrante por homens do Grupo de Atuação Especial de Combate o Crime Organizado (Gaeco) com R$ 9,9 mil no interior de seu carro. Em depoimento, ele admitiu que o montante vinha de dois empresários beneficiados com duas leis que passaram pela Casa em dezembro passado. No que os promotores apontaram como confissão - nos autos, ele assina uma ''Nota de Culpa'' -, o economista de 30 anos ainda enumerou outros quatro companheiros de plenário que participariam do esquema, dividindo o dinheiro, inclusive, em uma ante-sala da própria Câmara.
Para o advogado do ex-vereador, ''pelo que assegura a Constituição Federal, ele é inocente até sentença condenatória da qual não haja mais recurso''.
Coelho Mendes não quis antecipar detalhes da defesa, mas garantiu que o depoimento não teria validade como prova contra o cliente. ''Isso será oportunamente esclarecido.'' Conforme Coelho Mendes, Barros está em Londrina e ''chateado com todo esse clima que foi criado''. (J.G.)





