Conteúdo de depoimento de Eike Batista não foi revelado pela Superintendência da Polícia Federal
Conteúdo de depoimento de Eike Batista não foi revelado pela Superintendência da Polícia Federal | Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo



Rio de Janeiro - O advogado de Eike Batista, o criminalista Fernando Martins, reafirmou na tarde dessa terça-feira (31) que ainda não definiu se o empresário irá fechar acordo de delação premiada. "A princípio não há possibilidade de delação", disse Martins. Ele fez a breve declaração assim que chegou à sede da Polícia Federal, no centro do Rio, por volta das 14h15. A frente do prédio da PF no Rio se transformou em inusitado ponto turístico. Pessoas aguardavam a chegada de Eike com celulares nas mãos para registrar o momento.

Segundo a "GloboNews", os agentes buscaram Eike no Complexo Penitenciário de Bangu às 14h05. O depoimento dele na Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Desvio de Recursos (Delecor) começou às 15h e terminou pouco antes das 19h.

Durante o depoimento, estavam presentes os procuradores Eduardo El Hage e Leonardo Cardoso de Freitas, que é o coordenador do grupo do Ministério Público Federal à frente das investigações das operações Calicute e Eficiência. De acordo com a Superintendência, não será revelado qualquer tipo de informação sobre o conteúdo das respostas e declarações do empresário.

Ao fim do depoimento, Eike Batista foi entregue à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e conduzido de volta ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, onde está preso desde ontem na Penitenciária Bandeira Stampa (Bangu 9).

Martins disse que protocolou na segunda (30) um pedido de habeas corpus em favor do empresário.

ALVO
Eike foi o principal alvo da Operação Eficiência, deflagrada pela Polícia Federal, no último dia 26. Quando a ação estourou, ele estava fora do país e foi considerado foragido pela Justiça, procurado pela Interpol (Polícia Internacional). Seus advogados negaram, na ocasião, que ele tivesse fugido.
Ele teve a prisão decretada depois que dois doleiros fizeram acordos de delação com a Operação Lava Jato no Rio e contaram que ele pagou US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador do Rio Sergio Cabral, que está preso.

ROTINA DE LUXO
As investigações da Lava Jato e a iminência da prisão de Eike Batista não mudaram a rotina de viagens internacionais dos filhos do empresário. Nos últimos meses, Thor Batista, de 25 anos, que assumiu os negócios da família, viajou com a namorada Lunara Campos para destinos luxuosos como St Barth, Dubai, Maldivas. O casal passou o Réveillon em Londres. Já Olin, de 21, que criou campanha virtual em defesa do pai, esteve na Alemanha, Miami e Barcelona com a mãe, Luma de Oliveira.

Enquanto Eike estava foragido em Nova York, Olin esquiava com amigos no Colorado e seguiu para Las Vegas. A hashtag criada por ele para demonstrar apoio ao pai passou a ser usada de forma irônica nas redes sociais.

A derrocada enfrentada pelas empresas do grupo X não se refletiu nos hábitos da família. Em fotos no Instagram e Facebook, Lunara e Thor ostentaram uma rotina de luxo. Na virada do ano, estavam em Londres. Hospedaram-se na suíte presidencial do Hotel Shangri-la, no centro de Londres. Ali, tinham a vista panorâmica de 180 graus para o Tâmisa, Tower Bridge, Catedral de St Paul, Shakespeare's Globe Theatre, além de sala de jantar para dez convidados, escritório, banheira de hidromassagem, numa área de 188 metros quadrados. A diária sai a R$ 33.500 reais.

Na passagem pela cidade, o casal frequentou o restaurante do icônico Hotel Ritz. O cotidiano de viagens luxuosas é revelado pela modelo para seus 16,7 mil seguidores no Instagram e 4,6 mil no Facebook.

Já Olin, que atua como DJ, é mais discreto nas suas postagens. Por suas publicações ou de seus amigos, é possível ver que ele esteve em locais como Miami, Barcelona e na recente viagem pelos Estados Unidos. De lá, deu início à campanha em defesa do pai. "Está na hora de passar as coisas a limpo. Estamos com você, pai. #ForçaEikeEstamosComVoce", escreveu.

A publicação recebeu a solidariedade de internautas, mas também fez surgir uma série de memes ironizando a campanha. Entre as publicações que reproduziram a hashtag, há fotos de presos em celas superlotadas, montagens com o casal Sergio Cabral e Adriana Ancelmo, e o ex-goleiro Bruno e seu cúmplice na morte de Elisa Samúdio, Luiz Henrique Romão, o Macarrão. (Com Agência Brasil)

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