Advogado de delator é investigado na Publicano 5
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende o principal delator do suposto esquema de corrupção na Receita Estadual, o auditor Luiz Antonio de Souza, e seus familiares, foi ouvido ontem como investigado no inquérito relativo à quinta fase da Operação Publicano, deflagrada na semana passada.
Nesta fase, promotores e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigam fatos ligados à sonegação fiscal e pagamento de propina por pelo menos sete empresas de abate de suínos da região de Londrina, que, durante alguns anos, teriam pagado propina de R$ 100 mil mensais a um grupo de auditores.
Ferreira disse que foi ouvido em razão de sua ligação de amizade com uma das pessoas que teria feito cobrança de supostas dívidas para Souza e também por ser advogado de todos os membros da família. Souza e sua irmã, Rosângela Semprebom, também ré colaboradora, é um dos investigados da quinta fase, mesmo tendo acordo de delação com o Ministério Público (MP) pelo qual se comprometia a não voltar a praticar crimes.
Ele teria, mesmo preso, supostamente praticado extorsão contra um dos empresários do setor de suínos para não fazer revelações sobre o possível esquema de sonegação. Tal fato é negado por sua defesa, que admite que Souza, de fato, fez cobrança com a ajuda da irmã e de outros interlocutores, mas, garante que a dívida era por empréstimos feitos ainda em 2014 e não extorsão.
Sobre seu próprio depoimento, Ferreira afirmou que "abri mão do sigilo entre cliente e advogado e não me recusei a responder qualquer pergunta". Disse ter esclarecido todos os fatos de que tinha conhecimento, mas negou a prática de qualquer ato ilícito.
Além do advogado, foram ouvidas ontem outras oito pessoas, entre elas a mulher de Souza e o marido de Rosângela Semprebom, auditora irmã do delator, que também fez acordo de colaboração premiada. Ao todo, o delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime ao Organizado (Gaeco), Alan Flore, ouviu mais de 30 pessoas entre investigados e testemunhas para instruir o inquérito.
O prazo para concluir o inquérito termina hoje e o delegado deve trabalhar durante todo o dia para relatar todos os fatos e indiciar os suspeitos. Ele não pôde adiantar quantas e quais pessoas seriam indiciadas.


