Advogado de Curitiba quer se eleger senador na Itália
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quarta-feira, 02 de abril de 2008
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nos dias 13 e 14 de abril os italianos vão às urnas para escolher o novo parlamento do país, dissolvido em janeiro após a renúncia do primeiro-ministro Romano Prodi. A campanha eleitoral, no entanto, não fica restrita à Itália. De um escritório no Centro Cívico, em Curitiba, um advogado que escolheu a capital paranaense para morar coordena sua candidatura ao Senado daquele país. Ele disputa uma das seis cadeiras que, desde a eleição de 2006, são destinadas a cidadãos italianos que vivem no exterior.
Nascido na Itália há 56 anos, Walter Petruzziello chegou ao Brasil com 2 anos. Em 1974, voltou ao país natal, onde morou por dois anos. Mesmo depois dessa experiência, o advogado só passou a se interessar de fato pelas questões ligadas aos cidadãos italianos que vivem no Brasil a partir de 1985, quando se tornou assessor jurídico do Consulado da Itália em Curitiba. Mais recentemente, passou a integrar comitês que discutem a situação de italianos que vivem em outros países. Atualmente, é um dos quatro brasileiros com vaga no Conselho Geral dos Italianos no Exterior, órgão presidido pelo ministro das Relações Exteriores da Itália.
''Mas esse é um órgão apenas consultivo. Já fizemos algumas reclamações ao conselho, mas não conseguimos muitos resultados'', afirma o advogado. Desejando ter mais voz ativa, Petruzziello não pensou duas vezes em se candidatar ao Senado italiano em 2006. A possibilidade foi aberta depois que uma alteração constitucional permitiu que pessoas com cidadania italiana que vivem no exterior também tenham representantes no parlamento. Os 15 mil votos nominais que recebeu naquela eleição, no entanto, foram insuficientes para conseguir uma das duas vagas destinadas a candidatos residentes na América do Sul. Um dos eleitos foi seu companheiro de partido, o argentino Luigi Pallaro.
A disputa com os candidatos do país vizinho, aliás, é a maior dificuldade encontrada por Petruzziello. Enquanto no Brasil 200 mil pessoas com cidadania italiana têm direito a voto, na Argentina o número dobra. Além disso, os candidatos argentinos têm mais estrutura para suas campanhas. Outro problema é mobilizar os eleitores que vivem no Brasil. ''Na última eleição, votaram aqui apenas 49% dos cidadãos com direito a voto'', relata. Agora, Petruzziello conta com a ajuda de amigos para enviar correspondências de campanha ao maior número possível de ítalo-brasileiros que podem votar. E corre contra o tempo, já que o prazo para entrega das cédulas de votação, distribuídas pelos consulados, termina no próximo dia 10. ''Nessa data, as cédulas, que são mandadas pelo correio, devem estar nos consulados. Se chegar depois, o voto é anulado'', explica.
Se eleito, Petruzziello pretende usar o cargo de senador para pressionar o governo italiano a dar mais atenção aos cidadãos do país ou descendentes que vivem no Brasil. Uma de suas metas é agilizar o atendimento nos consulados instalados aqui. ''É preciso melhorar a estrutura dos consulados e também facilitar a obtenção de títulos de cidadania, o que hoje pode levar até 15 anos'', justifica. O advogado promete também lutar pelos direitos ''da totalidade da população italiana''. Isso, segundo ele, é necessário até para mudar a imagem que alguns dos parlamentares eleitos pela América do Sul deixaram na última legislatura. ''Alguns foram de certa forma ridicularizados por sua fraca atuação. Um parlamentar eleito pela Argentina participou de apenas 34% das sessões. Temos que mostrar aos parlamentares italianos que estamos dispostos a trabalhar'', declara.


