Advogado de Cid gera incerteza com versões sobre joias de Bolsonaro
Criminalista deu declarações confusas e divergentes sobre suposta decisão do militar de confessar sua atuação e do ex-presidente no caso
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sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Criminalista deu declarações confusas e divergentes sobre suposta decisão do militar de confessar sua atuação e do ex-presidente no caso
Cézar Feitosa - Folhapress 
Brasília - O novo advogado do tenente-coronel Mauro Cid, Cezar Roberto Bitencourt, deu declarações confusas e divergentes sobre a suposta decisão do militar de confessar sua atuação e a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na venda de joias - caso investigado pela Polícia Federal. As versões sobre o caso se alteraram de quarta-feira (16), primeiro dia de trabalho do criminalista como defensor de Cid, a esta sexta-feira (18). O vaivém atenua e agrava a situação de Bolsonaro, a depender do avanço e recuo de Bitencourt.
Na quarta, em entrevista à GloboNews, o advogado disse que não sabia detalhes das acusações contra Cid porque havia recém-assumido a defesa do militar e nem sequer tinha encontrado o cliente. Mesmo sem conhecer o caso, Bitencourt havia afirmado que Cid é um "militar, mas ele é um assessor".
"Assessor cumpre ordens do chefe. Assessor militar com muito mais razão. O civil pode até se desviar, mas o militar tem por formação essa obediência hierárquica. Então, alguém mandou, alguém determinou. Ele é só o assessor. Assessor faz o quê? Assessora, cumpre ordens", disse. A tese defendida inicialmente seria a de que Cid, como assessor da Presidência, apenas "obedecia ordens".
"Essa obediência hierárquica para um militar é muito séria e muito grave. Exatamente essa obediência a um superior militar é o que há de afastar a culpabilidade dele", disse. "Alguém mandou, alguém determinou, ele é só o assessor. Assessor cumpre ordens. Vamos examinar os fatos, saber quem é quem, até onde vai a responsabilidade de um e de outro", completou.
Horas após a entrevista, Bitencourt teve um primeiro encontro com Mauro Cid no Batalhão do Exército, em Brasília. A conversa durou cerca de três horas, e o advogado teve o primeiro contato com o caso.
Na quinta-feira (17), o criminalista deu entrevista à Folha de S.Paulo com tom mais ameno. Nos 30 minutos de entrevista, Cezar Bitencourt afirmou que o objetivo da Polícia Federal seria chegar até Bolsonaro, não Cid, e que a chance de fechar uma delação premiada seria "zero" e "nula". Ele disse ainda que o trabalho de Cid não consistia em somente cumprir ordens.
"Assessor está lá para cumprir ordens, ajudar. Mas também não deixa de ter uma certa autonomia para fazer o meio, como, onde e quando. Essas coisas, um assessor competente e preparado, como é o Cid, o Cid é muito preparado. Excelente pessoa, intelectual, cumpridor de missões. Tem cabeça, inteligência", afirmou.
A Folha de S.Paulo ainda o questionou se, no caso das joias levadas e vendidas nos Estados Unidos, Cid teria trabalhado a mando de alguém. "Especificamente, a gente não conversou sobre isso. Mas eu tenho a impressão de que ele tinha certa autonomia. E mais: se eu erro aqui, eu conserto ali. Se fiz uma coisa errada aqui, posso consertar lá."
Horas após a entrevista, a revista Veja publicou reportagem com uma nova versão de Bitencourt. Nela, ele disse que Cid decidira confessar a atuação na venda das joias e declarar que havia cometido o crime por ordem de Bolsonaro. "O Cid não nega os fatos. Ele assume que foi pegar as joias. 'Resolve isso lá'. Ele foi resolver. 'Vende a joia'. Ele vende a joia [...] Na verdade, é confissão [e não colaboração]."
O advogado confirmou a versão para a Folha de S.Paulo e outros jornais. "Ele confessa que comprou as joias evidentemente a mando do presidente. Comprou e vendeu. 'Resolva esse negócio e venda', foi mais ou menos assim", disse.
Nesta sexta-feira, porém, Bitencourt deu nova versão para o jornal o Estado de S. Paulo. "Não, não tem nada a ver com joias! Isso foi erro da Vejs (sic) não se falou em joias!", escreveu em mensagem.
À GloboNews, mais tarde, ele disse que o caso não se trata de joias, mas de somente uma: um relógio da marca Rolex. E que não se trataria de uma confissão, mas "esclarecimentos" a serem feitos aos investigadores.
Bitencourt disse ainda que Cid não iria culpar Bolsonaro pelo esquema. "Tem muitas coisas que não tem nada a ver. Na realidade houve um equívoco, houve má-fé. Em primeiro lugar [é um equívoco] que o Cid vai dedurar o Bolsonaro", afirmou.
Cezar Roberto Bitencourt é o terceiro advogado de Mauro Cid desde que o militar foi preso, em 3 de maio. O primeiro, Rodrigo Roca, deixou a defesa do tenente-coronel sete dias após a prisão.
O segundo defensor de Cid foi o advogado Bernardo Fenelon, que deixou o caso na última semana alegando "questões íntimas".
Deputados acionam Moraes e pedem que Bolsonaro seja proibido de deixar o país
São Paulo - Os deputados federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) acionaram o STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja proibido de deixar o país e tenha seus passaportes retidos em até 24 horas. O pedido foi protocolado na manhã desta sexta-feira (18).
Os parlamentares afirmam haver indícios de que o ex-mandatário "possa ter interesse em fugir do país para não estar sujeito à jurisdição criminal brasileira" e, por isso, pedem ao ministro Alexandre de Moraes que adote a medida cautelar.
A petição se baseia no depoimento prestado pelo hacker Walter Delgatti à CPI do 8 de janeiro na quinta-feira (17), em que foi atribuída a Bolsonaro a participação em planos para colocar em xeque a segurança do sistema eleitoral e atrapalhar as eleições de 2022.
Delgatti afirmou, por exemplo, que a campanha do então candidato à reeleição quis forjar a invasão de uma urna eletrônica e exibi-la no feriado de 7 de Setembro de 2022. Disse, ainda, que Bolsonaro teria pedido a ele que assumisse a autoria de um suposto grampo do ministro Alexandre de Moraes.
"O depoimento de Walter Delgatti é bastante detalhado em relação ao encontro que ele teve com o senhor Jair Messias Bolsonaro, então presidente da República. A própria deputada federal Carla Zambelli [do PL-SP], em entrevista no Salão Verde da Câmara, confirma o encontro entre o senhor Delgatti e o senhor Jair Messias Bolsonaro", pontuam os deputados do PSOL, na petição enviada a Moraes.
"Ora, Excelência, sendo incontroverso que houve um encontro entre o senhor Jair Messias Bolsonaro e o senhor Walter Delgatti, no Palácio da Alvorada, que estava naquele momento oferecendo seus serviços de 'hacker' e apto a demonstrar a falibilidade das urnas eletrônicas, isto, sem dúvida, é elemento suficiente para colocar o senhor Jair Messias Bolsonaro na condição de investigado no presente inquérito", seguem, citando o procedimento que investiga Zambelli e Delgatti.
O ex-presidente afirma que Delgatti está criando fantasias e que nada disso ocorreu.
Hilton e Vieira destacam o fato de Bolsonaro ter viajado aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, na véspera do término de seu mandato, e sugerem que a saída do país possa ter sido motivada por um receio de ser responsabilizado criminalmente pelos atos golpistas que viriam a ocorrer em 8 de janeiro.
Além dos passaportes, os deputados pedem a Moraes que sejam apreendidos eventuais armas, munições, computadores, tablets e celulares em posse do ex-presidente. Caso ele não se encontre em sua residência, Hilton e Vieira sugerem que sejam conduzidas buscas em "hotéis, motéis e outras hospedagens temporárias" que possam ter recebido o ex-mandatário. (Mônica Bergamo/Folhapress)
'Não recebi', diz Bolsonaro ao afirmar que Cid tinha autonomia sobre joias
São Paulo - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) diz que seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, tinha "autonomia" ao comentar o esquema de desvio e venda ilegal de joias. A entrevista foi dada ao jornal Estado de S. Paulo. Bolsonaro diz que Cid agia com autonomia e que quer "clarear o mais rápido possível" o caso. A PF investiga um esquema ilegal de venda das joias recebidas pela Presidência em agendas oficiais.


