Advogado de Baiano tenta anular audiência e critica Moro
Curitiba - A defesa de Fernando Soares, o Baiano, tentou, na noite de quinta-feira anular a audiência realizada ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), pedido que não foi atendido. Antes da audiência, defensores do lobista e representantes do Ministério Público Federal (MPF) chegaram a bater boca. Um dos procuradores chegou a afirmar que os advogados de Baiano estavam fazendo "chicana" para atrapalhar o andamento do processo.
Em outro momento da audiência, perguntado pelo juiz Sérgio Moro se era o único diretor a receber propina, Paulo Roberto Costa afirmou que não e voltou a citar Renato Duque. A defesa de Nestor Cerveró protestou, afirmando que a pergunta não se limitava ao conteúdo do processo, que trata sobre o pagamento de propina para Cerveró e Fernando Soares na aquisição de navios-sonda para a Petrobras. "Quem decide sobre a pertinência é o juízo. O juízo entende que a verdade deve ser buscada dentro do processo", ressaltou Moro.
Ao sair das oitivas, Nélio Machado, que representa Baiano, reclamou que as perguntas feitas tanto pelos procuradores quanto pelo magistrado extrapolaram o feito. "A denúncia fala de um episódio de 2006, aquisição de navios-sonda. Isso não tem nada a ver com o PMDB. Então, estas perguntas feitas pelo MPF e pelo magistrado elas foram absolutamente alheias ao objeto da ação penal, e o réu se defende da denúncia", ressaltou o advogado.
E os ataques a Sérgio Moro continuaram: "Essa audiência foi feita por um juiz manifestamente incompetente do ponto de vista jurídico. Petrobras não é no Paraná, a regra que está prevalecendo é uma deturpação. Há no Brasil tribunais superiores que seguramente, no momento oportuno, vão corrigir os equívocos que têm marcado as audiências que vêm sendo realizadas no Paraná. Se desejam uma punição a qualquer preço, feita de afogadilho como se pretende, talvez consigam condenar, mas os tribunais vão corrigi-lo (juiz)", completou Nélio.
Questionado sobre a publicidade de parte dos depoimentos da delação premiada de seu cliente, o advogado de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto ressaltou que as denúncias apresentadas até agora não se baseiam somente no que consta na delação. "Tenho certeza que meu cliente está falando a verdade. Não é somente a voz do meu cliente, já há uma quebra de sigilo e outros indícios documentais. A colaboração do meu cliente foi homologada pelo STF então se não houvesse uma prova contundente isso não teria sido homologado", disse.
Basto também rebateu as negativas apresentadas pelo ex-ministro José Dirceu e pelo tesoureiro do PT, João Vacarri Neto, de que não conheciam Youssef e que nunca receberam nenhum valor do doleiro. "O confronto vai existir e é natural até pelo número de colaboradores que existe e tenho certeza que vai chegar uma hora em que vamos ter que acarear todos estes caras para ver quem está falando a verdade", finalizou. (R.C.J.)





