As investigações revelaram "um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho"
As investigações revelaram "um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho" | Foto: Marcelo Gonçalves/Sigma Press/Estadão Conteúdo



Dentre os investigados na Operação Registro Espúrio, deflagrada pelo MPF (Ministério Público Federal) na manhã de quarta-feira (30) está o ex-assessor especial de Carlos Lupi (PDT) enquanto ministro do Trabalho, Emprego e Renda, o advogado araponguense João Graça. A notícia de que João Graça teria sido preso se espalhou em sites e blogs do Paraná e de fora do Estado. Segundo uma fonte da FOLHA, ele teria se apresentado ainda nesta quarta-feira (30) na delegacia da Polícia Federal em Brasília, onde permaneceu até o fechamento desta edição. O advogado Marcelo Leal, amigo pessoal de João Graça, confirmou a informação à reportagem da FOLHA. Ele afirmou que teve acesso ao inquérito ainda na quarta-feira e que entraria ainda na noite desta quinta com um pedido de revogação da prisão temporária. Questionado se o motivo da prisão poderia ter algo a ver com a operação, Marcelo negou.

"Não tem nada a ver com o período em que ele esteve no Ministério, apenas por ele ser advogado e ter exercido a advocacia", afirma.
A reportagem conversou com a ex-vereadora Sandra Graça (PRB), irmã do advogado, mas ela não quis se manifestar.

A Polícia Federal afirma que as investigações revelaram "um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho, com suspeita de envolvimento de servidores públicos, lobistas, advogados, dirigentes de centrais sindicais e parlamentares", afirma a nota.

Ao todo oito mandados de prisão preventiva e 15 de prisão temporária foram cumpridos em São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal. Também foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão, inclusive nos gabinetes dos deputados Jovair Arantes (PTB-GO), Paulinho da Força (SDD-SP) e Wilson Filho (PTB-PB), assim como no ex-deputado federal e presidente nacional do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) Roberto Jeferson (PTB). Também são alvos as sedes nacionais de dois partidos políticos e de centrais sindicais. Além disso foram ordenadas medidas cautelares adversas à prisão a dois parlamentares que não tiveram os nomes revelados. Leonardo José Arantes e Rogério Papalardo Arantes, sobrinhos de Jovair estão entre os alvos de mandados de prisão.

REGISTRO ESPÚRIO
Ao todo 320 agentes trabalharam na operação. Segundo a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o esquema criminoso estava estruturado em cinco núcleos: administrativo, político, sindical, captador e financeiro. Fraudes como o pagamento de R$ 4 milhões pela liberação de um único registro sindical são citadas na petição da PGR e, desde o ano passado, parte dos envolvidos responde a uma ação por improbidade administrativa na Justiça Federal, em Brasília.

Nas secretarias do Ministério do Trabalho Emprego e Renda, cerca de dez servidores eram responsáveis por fraudes como o desrespeito a ordem cronológica dos requerimentos e o direcionamento dos resultados dos pedidos. Também segundo o MPF, parlamentares e ex-parlamentares atuavam indicando e mantendo estes servidores em cargos estratégicos. Membros do núcleo sindical faziam o contato com os funcionários públicos que faziam a operação das fraudes. Do lado de fora lobistas e advogados eram responsáveis pelo meio de campo entre os sindicatos interessados em registros. Finalmente os pagamentos das centrais sindicais aos envolvidos eram simulados através de contratos fictícios de trabalho.
O MPF afirma que o material recolhido será analisado posteriormente pelos investigadores.

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