Curitiba - O advogado de defesa de Alaor Alvim Pereira, Francisco de Assis do Rêgo Monteiro Rocha, criticou ontem a decisão de Pires Neto de se tornar um colaborador da Justiça. ''O Gabriel agora é testemunha da Justiça. Está delatando todo mundo. Está sendo muito baixo.'' Pereira e outros diretores do Banestado foram denunciados em agosto de 2003 pelo Ministério Público (MP) federal. Segundo a denúncia, durante o período em que estiveram gerenciando as operações de câmbio do Banestado, entre os anos de 1996 e 1997, cerca de US$ 1,9 bilhão teria sido enviados ilegalmente para fora do Brasil.
Rêgo disse que o menosprezo de Alaor Pereira durante o interrogatório não poderia ter embasado um pedido de prisão, ou fatos que teriam surgido de conversas informais com Pires Neto. ''Ele prendeu para dar mostras de poder e de força e para humilhar também os advogados, já que a prisão foi pedida no final da audiência, quando os advogados já não poderiam fazer nada. A defesa foi tomada por surpresa e espanto'', relatou o advogado criminalista.
Rêgo disse ainda que a prisão pode ter sido uma resposta ao fato de Alaor Pereira ter ficado foragido por 23 dias, no pedido anterior de prisão. ''Meu cliente não iria se apresentar a uma autoridade arbitrária e truculenta'', considerou. O advogado pretende entrar com um pedido de habeas corpus ainda esta semana no Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, que já concedeu habeas corpus para toda a diretoria do Banestado. (L.P.)

mockup