Advogado apura responsáveis por quebra de sigilo
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sábado, 18 de março de 2006
Rosa Costa e Diego Escosteguy<br> Agência Estado 
Brasília - O advogado do caseiro Francenildo Santos Costa, Wlicio Chaveiro Nascimento, iniciou ontem os procedimentos para apurar os nomes dos responsáveis pela quebra, sem autorização legal, do sigilo bancário dele. Nascimento disse que pedirá ajuda do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal (PF) para identificar o que entende ser ''uma violação a um direito legalmente assegurado pela Constituição''. ''Houve uma ilegalidade, Francenildo não é objeto de nenhuma investigação'', lembrou.
O advogado disse que passou a defender o caseiro, mais conhecido como ''Nildo'', sem nenhum tipo de remuneração para atender a amigos que se solidarizaram com o gesto de contar o que viu nos oito meses em que trabalhou numa casa do Lago Sul para ex e atuais assessores do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, interrompido aos 55 minutos, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), o caseiro contou que Palocci era frequentador da casa onde era feita distribuição de dinheiro para integrantes da chamada ''República de Ribeirão Preto'', e realizadas festas com garotas de programa.
Nascimento chama de ''conspiração'', além da violação da conta bancária do rapaz, o fato de a Revista ''Época'' ter divulgado dados que seriam falsos sobre a conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal (CEF). Segundo o advogado, a reportagem sugere que ele recebeu dinheiro da oposição para contar o que sabe sobre as idas de Palocci à casa do Lago Sul.
A residência foi alugada em nome do economista Vladimir Poleto, mas, segundo o caseiro, o dinheiro do aluguel e outros gastos, até mesmo o das prostitutas, vinha de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, da empresa do ex-assessor de Palocci Rogério Tadeu Buratti.
A revista diz que ele recebeu R$ 38,6 mil. O caseiro mostrou extratos mostrando que entrou na sua conta R$ 25 mil, depositados pelo empresário Eurípedes Soares da Silva.
''Nildo'' disse que - conforme é público na cidade onde nasceu, Nazária (PI), Silva é o pai que não o reconheceu. Segundo ele, o empresário depositou o dinheiro na conta depois que ele assinou um acordo extrajudicial prometendo não entrar na Justiça para ser reconhecido como filho.


