Advogado aponta indícios de fraude em vídeo
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Três imagens de um vídeo que teria registrado a passagem do Volkswagen Passat do ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) momentos antes do acidente no dia 7 de maio que matou dois jovens, teriam sido adulteradas. A acusação é do advogado da família de Gilmar Rafael Yared (uma das vítimas), Elias Mattar Assad que apresentou ontem à imprensa uma reconstituição digital do acidente realizada por peritos.
''Um dos frames do vídeo está repetido outras três vezes dentro da imagem, o que apagou o Passat das imagens'', disse Assad. Os peritos também teriam calculado, com base no trajeto percorrido pelo carro do ex-deputado, a velocidade média do veículo. ''Ele estava a pelo menos 191,52 km/h'', afirmou.
As imagens analisadas pelos técnicos contratados por Assad foram registradas por duas câmeras de vigilância do posto de gasolina que fica na esquina das ruas Paulo Gorski e Ivo Zanlorenzi. Na primeira câmera as imagens são da rua Paulo Gorski até a esquina com a rua Ivo Zanlorenzi e mostram o Honda Fit onde estavam Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, mortos na colisão, se aproximando da esquina e fazendo a conversão à esquerda.
Uma segunda câmera registrou imagens da rua Ivo Zanlorenzi, por onde o ex-parlamentar estava transitando, até a esquina com a Paulo Gorski. O vídeo, no entanto, só tem vestígios da luz dos faróis que seriam do Passat de Carli Filho, mas não tem imagens do carro. É nesse vídeo que Assad sustenta que houve adulteração.
Além de não aparecer no vídeo do posto de gasolina, o veículo dirigido pelo ex-parlamentar também não foi registrado por nenhum dos radares de fiscalização eletrônica da Ivo Zanlorenzi nem da rua Pedro Viriato Parigot de Souza, paralela à via onde ocorreu o acidente e onde fica a residência de Carli Filho. Em Curitiba, os radares eletrônicos registram as placas de todos os veículos que transitaram pela via, mesmo que não estejam acima da velocidade limite.
Em entrevista à FOLHA, o promotor de Justiça Rodrigo Chemin Guimarães, que era responsável pelo inquérito no Ministério Público antes da renúncia de Carli Filho - e consequente perda de foro privilegiado - afirmou que desde as 14 horas do dia 6 de maio, véspera da colisão, nenhum radar eletrônico registrou a passagem do Passat do ex-deputado.
Assad não quis levantar hipóteses sobre quem teria feito a suposta adulteração do vídeo, mas defendeu que a investigação do caso poderia levar a uma Comissão Parlamentar de Inquérito. ''Alguém pegou o celular do deputado logo após o acidente e ligou para uma pessoa que pode ter acionado toda uma série de ações. Como isso aconteceu não é do nosso interesse no inquérito policial, mas pode ser material para uma CPI'', declarou.
Segundo Assad, os peritos estudaram o local do acidente, as marcas de pneus deixadas no asfalto, fotos dos veículos e outras informações registradas no inquérito. O trabalho também teria determinado que o Passat de Carli Filho teria ''decolado'' do chão no momento da batida. ''Se ele não tivesse batido no Rafael teria sofrido o acidente sozinho. Na realidade o Honda Fit serviu de 'travesseiro' para o deputado'', apontou.
Um vídeo mostrando a simulação do acidente foi produzido pelos peritos contratados por Assad. O material apresentado será anexado à investigação policial que está em andamento na Delegacia de Delitos de Trânsito.
À FOLHA, o delegado Armando Braga, que preside o inquérito, afirmou que não teria como comentar as informações divulgadas por Assad por não ter tido acesso ao material exposto pelo advogado. ''Essas fitas estão sendo analisadas no Instituto de Criminalística'', informou. O advogado Roberto Brzezinksi, que representa Carli Filho, não foi encontrado para comentar o caso.


