Advogado acusado de grampo depõe dia 14
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Justiça Federal de Curitiba marcou para a próxima segunda-feira o depoimento do advogado Roberto Bertholdo, preso acusado de grampear os telefones do juiz federal Sérgio Moro. Bertholdo será ouvido pelo juiz federal da 2 Vara Criminal, Gueverson de Farias. O advogado de defesa de Bertholdo, Ivan Xavier Vianna Filho, informou ontem que já analisou parte dos autos que serviram de suporte para a prisão de seu cliente, que são mais de três mil páginas e pelo menos 20 horas de gravações de conversas, e afirmou que há ''apenas muita fumaça, mas nenhum fogo''.
Vianna Filho afirmou que ainda não encontrou nas gravações e nos autos nada que possa provar que Bertholdo tenha grampeado o telefone do juiz federal. O advogado disse ainda que as transcrições das conversas feitas pelo Ministério Público (MP) federal não são integrais. ''Por isso precisamos ouvi-las para saber o que foi realmente dito e em que contexto e confrontar com o que está no autos'', explicou. ''Há referências nos autos que esse grampo teria existido. Mas se atribui a alguns deputados federais e empresários. Há uma séria de recíprocas acusações'', afirmou Vianna Filho, que preferiu não citar nenhum dos nomes que constam no processo.
O advogado de Bertholdo disse ainda que boa parte das referências de que seu cliente fez os grampos foram colhidas com seu ex-sócio Sérgio Costa. ''E todos sabem da desavença dos dois'', afirmou. No início do ano Costa acusou Bertholho de espancamento e tortura depois de ter descoberto irregularidades na atuação de seu sócio. Já Bertholdo argumentou que descobriu que Costa estava desviando dinheiro e houve agressão mútua depois de uma discussão. Na época, Bertholdo teve sua prisão preventiva decretada, porém ficou foragido até obter um habeas corpus. ''Ele ficou foragido senão ficaria quase 90 dias preso ilegalmente'', justificou Vianna Filho. Este episódio foi um dos argumentos para o novo pedido de prisão.
A delação premiada (benefício para quem já está respondendo processos na Justiça a fornecer informações), instrumento usado pelo Ministério Público e pela Justiça Federal para que testemunhas denunciassem o suposto esquema usado por Bertholdo também foi criticado por Vianna Filho. Segundo ele, as provas apresentadas por essas pessoas seriam inconsistentes.


