Adversários se entendem e elegem nome de consenso
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domingo, 15 de junho de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
O PT de Londrina surpreendeu ontem ao lançar chapa única para a eleição do diretório municipal: os dois candidatos a presidente, André Vargas e Glauco Ramos, abriram mão da disputa para apoiar Marcelo Urbaneja, integrante da chapa de Ramos e membro do Conselho Tutelar. O acordo foi fechado durante a madrugada. É uma demonstração de maturidade, comemorou Urbaneja. Dos 3.450 filiados, apenas 229 votaram.
As chapas inscritas anteriormente defendiam a reconstrução do partido, mas divergiam no apoio à atual administração. Segundo Urbaneja, o impasse foi contornado porque o PT se dispõe a discutir caminhos e idéias. Mas quem vai discutir a postura é o diretório, antecipa.
Para Vargas, abrir mão da candidatura significa iniciar o processo de reconstrução. Não dava mais para tripudiar sobre o cadáver. Agora é vida nova, defendeu Ramos.
Os inadimplentes não foram perdoados e 77 filiados parcelaram os débitos para votar, o que resultou em R$ 1.419,00. O ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida não votou. Segundo a comissão eleitoral, não houve consenso quanto ao valor de sua dívida, que pode chegar a R$ 40 mil. Só votou quem estava em dia. Mas no passado, o Cheida colaborou com muitos companheiros de partido e essas contribuições vão ser abatidas da dívida, esclareceu o deputado federal Roque Zimmermann, o padre Roque, da executiva estadual. À Folha, Cheida assume que tem débitos, mas diz que o PT também tem dívidas com ele.
Padre Roque acredita que o consenso no diretório é o início da reconciliação entre Cheida e Paulo Bernardo. Tenho certeza que essa aproximação já começou. Finalmente a unidade vai ser reconstruída, acredita. Apesar disso, a união parece estar longe de ocorrer. Bernardo não participou do processo, limitando-se a comparecer ao encontro e Cheida não quer discutir o assunto.
O desafio do novo diretório é começar praticamente do zero e me coloco à disposição para colaborar na reconstrução. Mas a postura dele (do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida), de traição, não permite conciliação, disse Paulo Bernardo. Cheida disse que mais importante que qualquer desavença é a retomada do trabalho de base, da formação política e organizacional do PT, além de uma proposta de projeto alternativo para Londrina.


