Apesar da decisão de tentar retardar ao máximo a votação da proposta de reforma administrativa no Senado, o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), líder do bloco de oposição, admite que será quase impossível derrotar o governo. Segundo ele, o governo tem uma base de apoio consolidada dentro do Senado, que garante a aprovação da proposta sem que ela sofra modificações.
Os partidos que integram o bloco de oposição (PT, PDT, PSB e PPS) representam apenas 12 dos 81 votos do Senado. Normalmente, suas propostas são reforçadas por alguns parlamentares de outros partidos que votam conceitualmente, nem sempre seguindo a orientação dos líderes de suas legendas. Nesse caso, estão senadores como Pedro Simon (PMDB-RS), Roberto Requião (PMDB-PR), Josaphat Marinho (PFL-BA) e Jefferson Perez (PSDB-AM), por exemplo. Mesmo assim, esses votos são insuficientes para impedir a vitória do governo na reforma administrativa.
‘‘O governo vai passar seu rolo compressor dentro do Senado e não temos como impedir isso’’, lamenta Dutra. Ele ficou especialmente irritado com a manobra feita pelos líderes aliados, permitindo que o relatório feito pelo senador Romero Jucá (PFL-RR) fosse lido antes da audiência pública do ministro da Administração Pública, Luiz Carlos Bresser Pereira. ‘‘Toda a comissão tinha aprovado a proposta de esperar o depoimento do ministro para depois ser apresentado o relatório e passou-se por cima dessa história’’, reclama Dutra.
Para o senador, a oposição terá o papel apenas de mostrar para a sociedade que a proposta tem muitos problemas e que deveria ser bem mais discutida antes de ser votada. ‘‘Mas o governo vai votar assim mesmo e nós, da oposição, temos o dever de pelo menos fazer o máximo de barulho possível para denunciar essa situação’’, afirmou. A idéia do governo é garantir a votação da reforma na CCJ já na próxima semana. No dia 11 de fevereiro, o projeto seria votado no plenário em primeiro turno. O segundo turno ficaria já para o período de trabalho normal do Congresso, depois da convocação extraordinária.

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