Curitiba A maior queixa dos prefeitos do Litoral é a falta de receita dos municípios. Como as cidades possuem poucos habitantes, a receita com impostos municipais oriundos do comércio e de atividades industriais é quase nula.
''Acho que na eleição municipal do ano que vem vai faltar candidatos. A Lei de Responsabilidade Fiscal engessou muito as administrações, e os prefeitos tem que fazer malabarismos para seguir a legislação e conseguir recursos para melhorias nos municípios'', comenta o prefeito do Pontal do Paraná, José Antonio da Silva.
Segundo o prefeito afastado de Guaratuba, José Ananias dos Santos, a legislação acabou criando uma prefeitura paralela. ''O prefeito perdeu a capacidade de escolher as áreas prioritárias de atuação em seu município. As verbas já vem carimbadas para a Educação e outros gastos obrigatórios'', reclama.
O interventor de Matinhos, José Maria Correia, encara as restrições da legislação usando uma máxima do direito: ''dura lex, sed lex'' (a lei é dura, mas é lei). ''Não tem escapatória. Os prefeitos tem que ter em mente duas frases em suas administrações. Uma é de Ulysses Guimarães: não roubar e não deixar roubar. A outra é de Tancredo Neves: ninguém deve gastar mais do que arrecada.''
Para ele, o grande problema é a falta de quadros técnicos. ''Eu defendo um modelo semelhante ao dos condados americanos, onde o prefeito é eleito e aponta um gestor municipal, ou seja uma pessoa preparada nas áreas de administração, finanças, etc. O prefeito que não busca o aperfeiçoamento de seus quadros técnicos junto a Associação dos Municípios Paranaenses (AMP) ou aos órgãos do governo está morto.''

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