Administração petista enfrenta a 1ª greve
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terça-feira, 08 de março de 2005
Cristiane Oya e<br>Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O prefeito Nedson Micheleti (PT) enfrenta a primeira greve dos servidores municipais desde o seu primeiro mandato. Após 72 horas de paralisação dos trabalhos em protesto pela falta de uma contra-proposta da administração municipal à reivindicação de 21% de reposição salarial, os trabalhadores aprovaram ontem em uma assembléia organizada pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv) a greve por tempo indeterminado. A entidade calculou que 4 mil trabalhadores participaram da votação, sendo que a maioria esmagadora levantou as mãos a favor da paralisação.
Antes do anúncio da decisão final, o palanque montado pelo sindicato no Centro Cívico foi usado por vários servidores para protestar contra a administração municipal. Além das críticas à falta de reajuste salarial, falou-se no indiciamento do presidente da Sercomtel, João Rezende, e até num movimento de impeachment contra o prefeito. ''Não é atrás de nós que eles têm de pôr a polícia'', alfinetou o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, se referindo à presença de policiais em locais que foram alvo de paralisação durante toda a segunda-feira e manhã de ontem. ''Poderíamos pedir por exemplo o impeachment do prefeito, uma vez que o prefeito abandonou as negociações, abandonou a cidade em um momento tão crítico como esse. Temos compromissos com a cidade e por isso fizemos a paralisação no dia primeiro e voltamos a paralisar hoje, mas a administração demonstra que não tem um pingo de responsabilidade com a cidade porque ela empurra os servidores para uma greve sem apresentar uma proposta'', complementou o sindicalista. Segundo a assesoria de imprensa da prefeitura, Nedson estava ontem em Brasília participando da Marcha de Prefeitos.
O sindicato registrou apenas sete votos contrários à greve devidamente rechaçados pelos participantes da assembléia e quatro abstenções. Urbaneja declarou que ''a greve será longa e virão dias difíceis''. Ele disse basear sua expectativa em declarações das próprias autoridades municipais, irredutíveis em ceder às exigências do sindicato mesmo diante de greve. ''Quem determina o tempo da greve é a administração pública. A partir do momento que a administração pública tem o bom senso de sentar e apresentar uma proposta digna aos servidores, com certeza os servidores retornarão ao trabalho'', disse Urbaneja.
O presidente do Sindserv afirmou que a entidade irá monitorar todos os serviços municipais, incluindo escolas, creches e postos de saúde, para verificar se estão funcionando à revelia da greve. Ele disse querer evitar que a prefeitura utilize funcionários terceirizados ou não capacitados para manter os serviços.
Urbaneja ainda afirmou que em nenhum momento durante a paralisação, a administração chamou o comando de greve para negociar. ''Estivemos a todo momento em frente ao prédio da prefeitura e até o momento a prefeitura não se posicionou, os secretários responsáveis por essa negociação não deram nenhum sinal de vida'', relatou.
Através de uma nota oficial, a administração lamentou a decisão dos servidores em deflagrar greve e reafirmou que ''está aberta à negociação, dentro da capacidade econômica e financeira do município e dentro, também, dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)''. Na nota, o governo municipal também afirma que a direção do sindicato não o procurou para negociação e que ''não tem condições de apresentar qualquer índice de reajuste salarial aos servidores''.


