Curitiba - A cara da administração pública no Paraná mudou nos últimos sete anos e meio, durante os dois mandatos acumulados pelo governador Jaime Lerner (PFL) e sua equipe. Para melhor ou para pior, as opiniões se dividem. O governo do Estado acha que as mudanças foram acertadas e deram agilidade à máquina pública. Sindicatos que representam os interesses dos servidores públicos estaduais e políticos de oposição contabilizam a maior parte das mudanças como perda.
A reforma administrativa imposta pela Lei Rita Camata e mais recentemente pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é uma das mais perceptíveis mudanças efetivas na administração pública estadual. Criaram-se paraestatais como a Paraná Educação, a Paranacidade, a Ecoparaná e a Paranatec, diluindo-se a responsabilidade que era eminentemente do Estado com entidades jurídicas de direito privado. O histórico Instituto de Previdência do Estado (IPE) foi extinto e a saúde e previdência do servidor estão aos cuidados de outra paraestatal, a Paraná Previdência.
Estatais como a Telepar, Ferroeste e o Banestado foram privatizadas, evidenciando mais uma mudança de rumo. A Ferroeste foi vendida por R$ 25 milhões para o consórcio formado pela Empresa Geral de Montagem e Engenharia S/A (Gemon), FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Banco Interfinance e pela Pound S/A, empresa ligada ao Eurobanco. A obra custou R$ 363 milhões aos cofres públicos. O Banestado foi vendido para o Banco Itaú, depois de uma intensa polêmica em torno de seu endividamento, segundo o governo do Estado, herdado de administrações anteriores.
Outras estatais tiveram suas ações parcialmente vendidas como é o caso da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que, ao longo dos últimos quatro anos, firmou parcerias, muitas delas questionadas na Justiça, entregando setores como o da exploração de energia para a iniciativa privada. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), outra estatal estratégica, teve suas ações comercializadas em boa parte com o grupo Vivendi, que hoje atravessa por uma crise financeira na França, seu país de origem.
A política administrativa de descentralizar também chegou à malha viária. Rodovias foram privatizadas, fazendo com que a administração pública não ficasse mais com a responsabilidade exclusiva pela conservação das estradas. Em troca, o contribuinte paranaense passou a pagar pedágio para ter estradas transitáveis. A antecipação dos royalties da Usina de Itaipu, a que o Paraná tem direito por conta do alagamento da área aonde está instalada hoje a hidrelétrica, que deu fôlego aos cofres públicos ao capitalizar parcialmente a previdência, também foi uma medida administrativa tomada.
A mais recente alteração na cara da administração pública no Paraná ocorreu na semana passada com a aprovação, pela Assembléia, de mensagem do governo do Estado transformando 384 cargos e funções em cinco carreiras e 82 funções.

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