Administração do Paraná está em condições preocupantes
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domingo, 02 de janeiro de 2011
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador eleito do Paraná, Beto Richa
(PSDB), tomou posse ontem pela manhã. Em seu discurso de quase 40 minutos, ele criticou a situação da administração conduzida nos últimos oito anos pelo PMDB e falou em profissionalizar a máquina pública. Definitivamente, não é o tipo de herança que eu gostaria de ter recebido, declarou ele, no plenário da Assembleia Legislativa. A cerimônia de posse na Casa teve um atraso de cerca de 25 minutos.
Após o discurso, o tucano desceu a rampa do edifício, ao lado da tropa da Polícia Militar, como é de praxe, e seguiu a pé até o Palácio Iguaçu, sede oficial do governo do Estado, reinaugurada no último dia 19. No Palácio Iguaçu, Orlando Pessuti (PMDB) transmitiu o cargo ao tucano, que depois seguiria de helicóptero até o Aeroporto Internacional Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba. De lá ele iria para Brasília, para acompanhar a posse da presidente da República eleita Dilma Rousseff (PT), marcada para as 14h30.
Em seu discurso, Beto disse que a administração está em condições preocupantes e que a recomendada civilidade nas relações não foi obedecida, numa crítica indireta ao ex-governador do Estado e senador eleito, Roberto Requião (PMDB). Ele afirmou que o espírito republicano tem sido um vago espectro para alguns dirigentes depois de quase 30 anos de eleições diretas para governador de Estado. Beto ainda criticou o que ele considera um comportamento fundamentalista que afugenta as empresas.
O tucano também voltou a falar em seu discurso que a prioridade será fazer uma reforma na administração: Faremos um duro ajuste emergencial que vai exigir sacrifícios ainda não totalmente dimensionados pela minha equipe de transição. Beto fala em ajuste fiscal e um corte de 15% nos gastos de custeio. Assim como fez na Prefeitura de Curitiba, ele também defende a assinatura de contratos com seus secretários de Estado, com metas para serem cumpridas.
Entre os pontos considerados inadiáveis, segundo ele, está também a questão do pedágio. Beto fala em cumprimento de contratos, mas disse que os valores das tarifas praticados hoje pelas concessionárias nas estradas são incompatíveis com a realidade econômica.
Beto também prometeu que vai manter as políticas sociais implantadas na gestão Requião. Políticas sociais como um caminho para criar oportunidades. Ninguém gosta de ser dependente do Estado. Nós vamos manter as políticas sociais com duas portas: uma de entrada e outra de saída, disse ele.
Outro tema que recebeu destaque no discurso do tucano diz respeito à posição do Paraná no cenário nacional. Beto afirma que vai recuperar a credibilidade que o nosso Estado já teve e que o Paraná se acostumou a ser referendado como um Estado desenvolvido, esquecendo, segundo ele, que quase um terço da população paranaense vive na pobreza.
Novos secretários
Já no Palácio Iguaçu, os secretários de Estado e especiais, além do procurador-geral do Estado, Ivan Bonilha, também assinaram o termo de posse. Ainda ontem, Beto anunciou um novo nome para o primeiro escalão: o auditor Mauro Munhoz, que ficará no comando da Secretaria Especial de Controle Interno. A dúvida permanece agora somente na Pasta da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, recusada pelo deputado federal Gustavo Fruet
(PSDB) na quinta-feira última. Candidato derrotado na disputa por uma das duas vaga ao Senado, Fruet disse que pretende se dedicar mais a Curitiba, onde pode disputar o Executivo em 2012.


