Adiamento é arma para não perder CPMF
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Em apuros, por falta de votos para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo chega hoje ao dia da votação da proposta no plenário do Senado com a alternativa apenas de apelar para o adiamento para evitar a derrota. Um dos principais articuladores do Planalto no Senado admitiu ontem que há ''um interesse muito grande'' no adiamento.
Segundo o líder, o governo, ''que já não tinha os 49 votos necessários para aprovar a proposta'', viu sua situação política piorar ainda mais na segunda-feira, por conta de duas baixas no time dos aliado: a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), e o senador Flávio Arns (PT-PR), ambos hospitalizados.
A despeito do cenário desfavorável ao Planalto, o senador José Sarney (PMDB-MA) declarou-se otimista quanto à aprovação da CPMF por conta de um ''acordo institucional'' com o PSDB que estaria em curso. ''Faz-se a política, a oposição debate, mas existem o bom senso e as razões de Estado. Tirar R$ 40 bilhões do governo de dezembro para janeiro é um problema'', argumentou o peemedebista. ''No final, se resolve. Vai haver um acordo''. Ele acredita que a discussão do ''acordo'' esteja se dando em torno da diminuição da CPMF e da concessão de isenções.
''Não tem acordo nenhum do PSDB com o governo. A bancada é contra a CPMF'', contestou, da tribuna do Senado, o líder tucano Arthur Virgílio (AM). ''Não vai ter apelo mais que resolva. Saí do plano terrestre para o espiritual e estou falando com Mário Covas direto. Meu conselheiro é ele'', disse o líder, referindo-se ao ex-governador tucano morto em 2001.
Certo de que os 13 senadores de seu partido estão contra a prorrogação do tributo, Virgílio aposta que a bancada se reuniriam ontem para reafirmar esta posição. ''Amanhã (hoje) cobraremos a palavra do governo, que anunciou a votação para terça-feira, e acho que eles perdem no voto'', arriscou.
A resistência interna à articulação dos governadores tucanos para prorrogar a CPMF foi engrossada ontem pelo PPS. O presidente nacional do partido, Roberto Freire, disse que ''está muito constrangido com a atuação'' dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). Freire defende a tese de que este não é um problema de economia interna do PSDB e afirma que tem legitimidade para protestar porque seu partido ajudou a eleger todos os governadores tucanos.


