Adiamento de empréstimo irrita Lerner
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quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Sérgio Wesley<bR> Sucursal de Curitiba 
O governador Jaime Lerner resolveu partir para o confronto com o senador Roberto Requião (PMDB), que conseguiu empurrar para 1997 a liberação do empréstimo do Banco Mundial para o programa Paraná 12 Meses. Ele (Requião) não tem postura e maturidade para continuar exercendo uma função pública, disparou.
Lerner disse que Requião tentou atirar contra o governador do Estado, mas acertou em todos os pequenos produtores paranaenses. A irritação do governador foi provocada pelo adiamento da autorização pelo Senado Federal para que o Paraná possa contrair empréstimo de US$ 175 milhões com o Banco Mundial (Bird).
Por iniciativa de Requião, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado vinculou a autorização do empréstimo à divulgação de informações relativas aos acordos firmados pelo governo do Paraná com as montadoras Renault e Chrysler. O governador Jaime Lerner respondeu ao pedido de informações do Senado, mas negou-se a revelar detalhes sobre as negociações com as montadoras.
O governo esperava ter seu pedido de empréstimo autorizado anteontem. Mas não houve quórum na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos. A próxima reunião da comissão está marcada para fevereiro, após o recesso parlamentar. Somente uma convocação extraordinária pode antecipar a autorização.
O senador Requião devolveu no mesmo tom as críticas feitas ontem pelo governador Jaime Lerner. No regime democrático, minha obrigação como senador é o de apoiar meu Estado e fiscalizar o governador. É meu dever evitar que o Lerner faça com o Paraná o que o Quércia fez com São Paulo e o Collor com Alagoas, afirmou.
Requião disse que o Paraná passa por dificuldades financeiras que o governo tenta ocultar. O Paraná está falido. Somente em agosto o governo vendeu R$ 138 milhões em ações da Copel para cobrir a diferença entre receita e despesa. Os créditos podres do grupo Atalla estão sendo transferidos para o FDE para maquiar o balanço do Banestado. O governo paga R$ 250 mil por mês no aluguel de jatos e aluga a Ferroeste por R$ 69 mil mensais. São esses os números que o Lerner não quer mostrar, revelou.
O senador disse que não vai retroceder em seu pedido de informações.


