Adiada votação do processo de cassação de Brandt
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Rose Ane Silveira<br> Folhapress 
Brasília A sessão em que os membros do Conselho de Ética iriam votar o processo do deputado Roberto Brant (PFL-MG) foi suspensa novamente e remarcada para hoje, às 9 horas. Desta vez, os deputados precisaram interromper os trabalhos por causa do início da ordem do dia, com a votação das propostas da chamada Super-Receita e da verticalização. O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que somente vai abrir a votação hoje se houver ''empate'. São 15 integrantes do Conselho, incluindo o presidente.
''Até agora, eu não disse se sou contra ou a favor da cassação. Vou analisar tudo bem direitinho e só vou dizer o meu voto se necessário'', disse. Ele reconheceu que o plenário está dividido e que é ''impossível prever o resultado da votação''.
Embora a votação não tenha sido feita, as declarações dos membros do Conselho demonstram que será difícil arriscar um placar antes do resultado, que deverá ser apertado. Seis deputados se manifestaram a favor do relatório de Nelson Trad (PMDB-MS), que recomenda a cassação do mandato de Brant, e outros cinco disseram que irão votar contra.
Foram apresentados dois votos em separado pedindo a absolvição do Brant. Um de Moroni Torgan (PFL-CE), e outro de Benedito de Lira (PP-AL). Outros três deputados Angela Guadagnin (PT-SP), Jairo Carneiro (PFL-BA) e Edmar Moreira (PFL-MG) também anunciaram que irão votar contra o parecer de Trad. Já anunciaram que irão votar a favor da cassação os deputados Chico Alencar (PSOL -RJ), Julio Delgado (PSB-MG), Pedro Canedo (PP-GO), Ann Pontes (PMDB-PA), Orlando Fantazzini (PSOL-SP) e Josias Quintal (PSB-RJ).
Foi a segunda suspensão da sessão do Conselho de Ética ontem. No final da manhã, o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), decidiu suspender os trabalhos depois de receber uma denúncia de uma suposta tentativa de acordo. Canedo chegou a dizer que estava sendo pressionado pela direção do PP, mas depois voltou atrás.
O deputado federal José Janene (PP/PR), que também responde a um processo no Conselho de Ética, foi localizado ontem pela reportagem, mas não concedeu entrevista. O deputado alegou que estava em meio a um eletrocardiograma. No final de 2005, Janene foi submetido a um transplante de células tronco no coração. O presidente do Conselho quer que uma junta médica avalie se o deputado tem condições de prestar depoimento em casa.
A assessoria de imprensa de Janene argumentou que a proposta da junta médica ainda tem que ser aprovada pela Mesa Diretiva da Câmara dos Deputados, e reafirmou que ele não está em condições de depor. ''Na semana passada foi entregue ao conselho uma nova perícia médica feita no dia 6 de janeiro que atesta que o deputado não tem condições de passar pelo estresse de um depoimento no Conselho de Ética'', afirmou. Conforme a assessoria, o deputado está em Curitiba, fazendo exames médicos. (Colaborou Cristiane Oya/Folha de Londrina)


