Curitiba - O governo do Paraná adiou para hoje a reunião que irá definir as regras do novo edital de licitação para a contratação de agências de publicidade que irão prestar serviços ao governo neste ano. A reunião, prevista inicialmente para ontem, deve adequar à legislação o edital publicado no governo no dia 22 de maio, que foi considerado ilegal por não especificar a maneira como os R$ 43,5 milhões destinados à publicidade oficial seriam distribuídos entre as agências vencedoras da licitação.
Segundo informações da assessoria do Palácio Iguaçu, a publicação do novo edital deve ocorrer amanhã. Enquanto o governo não anuncia as novas regras, o mercado publicitário especula se haverá outras mudanças na licitação. ''A adequação à lei sem dúvida é muito desejável pela transparência que traz ao processo. Mas estamos torcendo profundamente para que não seja alterado o briefing do edital'', afirma o diretor de planejamento da Exclam Comunicação, Mauro Moreira de Souza. O briefing especifica os critérios técnicos que as agências devem seguir para apresentar suas propostas de oferta de serviços ao governo.
Outra especulação corrente entre as agências é a de que o governo poderia reduzir de 12 para nove o número de empresas que serão contratadas. ''Esse boato está circulando, mas o governo ainda não se posicionou a respeito. Isso aumenta a concorrência, mas acredito que nenhuma agência está realmente esperando que seja uma disputa fácil'', analisa Mauro de Souza. Segundo a assessoria do governo, a tendência é que o número de agências seja mantido, e que o único item alterado seja o da forma de distribuição dos recursos.
A licitação foi suspensa por uma liminar movida pelo empresário Guilhobel Camargo através do advogado e ex-secretário do Governo de Jaime Lerner (PFL) José Cid Campêlo Filho. Ontem, Campêlo divulgou nota à imprensa afirmando que pretende entrar com uma ação penal contra o governador Roberto Requião (PMDB), o secretário de Comunicação Aírton Pisseti e o presidente da Comissão de Licitações, Júlio Boeng. Segundo o advogado, o fato do edital ter sido cancelado e substituído por outro não isenta seus autores da responsabilidade pela tentativa de ferir a lei. Pisseti informou, através de sua assessoria, que o governo não iria se manifestar até ser notificado da ação judicial.

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