Arquivo FolhaGafeSalomão chamou o presidente da CAE José Serra de ‘presidente comunista’ quando tentava dizer economista O governo do Estado perdeu mais um round ontem na briga pela liberação dos três empréstimos externos do Paraná junto à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; do Planejamento, Miguel Salomão; e o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, não conseguiram liquidar a polêmica ‘novela’, que promete se arrastar até a semana que vem.
Na próxima terça-feira, a pedido do senador Esperidião Amin (PPB-SC), técnicos do Banco Central e da Secretaria do Tesouro farão uma análise da capacidade de endividamento do Estado, em nova sessão na CAE. O fracasso de ontem provocou uma consequência imediata: o governo será forçado a pedir ampliação no cronograma de um dos três programas, o ‘‘Paraná 12 Meses’’. Salomão informa que será enviado fax à direção do Banco Mundial (Bird), em Washington, pedindo dilação de prazo para liberação do financiamento, que expira no próximo domingo.
As discussões envolvendo US$ 490 milhões pretendidos pelo Paraná, na CAE, duraram cerca de quatro horas, numa audiência pública com a participação dos senadores do Paraná Roberto Requião (PMDB), Osmar Dias (PSDB) e dos secretários da Fazenda e Planejamento. Nenhum dos dois requerimentos que estavam na pauta - um queria a desconsideração dos motivos alegados por Requião (PMDB) para o bloqueio e o outro que sugeria apreciação imediata dos empréstimos - foram analisados.
Requião e Osmar demonstraram fluência verbal nos ataques, enquanto que os secretários do governador Jaime Lerner (PFL) protagonizaram momentos de tensão e de nervosismo. Gionédis tropeçou nas palavras, o que rendeu uma crítica do senador Requião. ‘‘O português mal falado do secretário da Fazenda...’, chegou a observar, numa referência aos deslizes verbais cometidos. Salomão também atrapalhou-se com a sabatina dos senadores, ontem. Ao invés de dirigir-se ao presidente da CAE, senador José Serra (PSDB-SP), como presidente economista, chamou-o de ‘‘presidente comunista’’.
Requião voltou a acusar o governo do Estado de firmar protocolos sem revelar o teor dos benefícios fiscais e de exorbitar nos gastos com a folha de pagamento. Desta vez, o alvo foi a Detroit. De acordo com o pronunciamento feito pelo senador ontem, e transmitido para todo o Brasil através da tevê Senado, o governo incluiu cláusula que proíbe a empresa norte-americana de revelar o teor do acordo. ‘‘Faço um apelo para que os senadores pefelistas descartem essa política medíocre do voto partidário’’, afirmou o senador.
A entrega do balancete de outubro do Paraná, no último dia 25 de novembro para o Banco Central, irritou o senador Osmar Dias, que é o relator dos empréstimos externos. ‘‘Eu não sou obrigado a ficar correndo atrás dos ofícios encaminhados pelo governo estadual. Eles têm de enviar essa documentação para a Comissão’’, protestou. ‘‘Como é que eu posso fazer um relatório desse jeito?’, emenda. Osmar afirma que os documentos apresentados ontem pelos secretários não têm valor jurídico até serem anexados à CAE. ‘‘Até o momento, o processo não está instruído como manda o Regimento Interno e a Constituição Federal’’, reforça.
Para o governo, não houve derrota. A recusa, por parte dos senadores, de um segundo requerimento de Esperidião Amin - que pedia sessão secreta para a quebra do sigilo dos protocolos e que não inviabiliza o pedido de Requião aprovado em dezembro do ano passado - foi suficiente. O secretário Miguel Salomão disse, logo após a audiência, que a reunião ‘‘foi boa’’. ‘‘A dificuldade dos protocolos foi eliminada’’, observou. Ele disse ainda que a remessa de documentos, no último dia 27, elimina de vez com os argumentos dos senadores Requião e Osmar Dias. ‘‘É um jogo de paciência, aonde há um regimento, um ritual. Vamos conseguir a liberação’’, avalia.
O governador Jaime Lerner também restringiu a sua análise ao item protocolos. ‘‘A posição do Senado em desvincular a liberação dos empréstimos à abertura dos protocolos evidencia claramente a postura dos senadores Roberto Requião e Osmar Dias em criar o maior número possível de manobras para impedir a sua aprovação’’, declarou. Ele diz que bloqueio não prejudica o seu governo, ‘‘mas os paranaenses, os agricultores’’ que não receberão o dinheiro dos empréstimos.

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