Adiada a votação de destaques
Deputados já estão em campanha e não garantem quórum para votação
Sem apoio de sua base parlamentar, o governo não conseguiu votar ontem nenhum dos seis destaques que restam à reforma da Previdência e vai tentar encerrar o segundo turno nos dias 17 e 18. Voltados para suas campanhas eleitorais, inseguros com o desgaste do presidente Fernando Henrique Cardoso e ainda descontentes com o corte de suas emendas ao Orçamento deste ano, os deputados não compareceram ao plenário para continuar a votação de quarta-feira à noite, quando foi aprovado o texto-base da reforma.
‘‘Está faltando gente para votar, os deputados estão envolvidos com a campanha’’, justificou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘No plenário, a gente vê como os deputados estão dispersos e voltados para outros interesses’’, completou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) atribuiu a desistência dos líderes governistas de avançar a votação na quarta-feira a um grupo de deputados mineiros que foram prestigiar o prefeito Newton Cardoso (PMDB) no lançamento de sua candidatura a governador. ‘‘Basta a ausência de 10 deputados da base para inviabilizar uma votação de reforma’’, alegou.
Os líderes aliados decidiram não convocar suas bancadas na próxima semana, porque sabem que encontrariam muita dificuldade de trazer deputados a Brasília na semana em que o Brasil vai estrear na Copa do Mundo. Eles planejam aproveitar a folga das votações da reforma para encerrar a tramitação das medidas provisórias que têm de ser votadas antes da promulgação da reforma da Previdência.
Na semana seguinte, caberá ao governo enfrentar o desafio de repetir uma maioria mínima de 308 votos no placar em todos os destaques apresentados pelos partidos de oposição, para impedir que a emenda constitucional seja alterada e, com isso, sua redação final fique condicionada a novas votações na comissão especial e no plenário. Se o governo conseguir manter intacto o texto-base aprovado quarta-feira, ele poderá promulgar a reforma ainda em junho.
Antes disso, porém, o governo terá de contornar insatisfações de sua base parlamentar para vencer votações polêmicas, como o redutor sobre as aposentadorias dos servidores públicos que ganham acima de R$ 1.200,00 e o fim da aposentadoria especial dos juízes. O corte nas emendas dos parlamentares apresentadas ao Orçamento de 1998, efetuado pelo governo para conter o déficit público, praticamente não tirou votos do governo nas votações de quarta-feira, mas deixou claro que não existe disposição de parte da base para atender ao apelo do governo.

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