Curitiba - O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Joarez Lima Henrichs (PFL), que é também prefeito de Barracão, disse ontem que 90% das 399 prefeituras paranaenses aderiram ao manifesto. No entanto, balanço da assessoria de imprensa da entidade dava conta de que cerca de 280 prefeituras entre 75% e 80% haviam fechado as portas. ''Os prefeitos estão indignados. Queremos uma solução para os nossos problemas'', complementou o prefeito de Barracão. Trinta e duas prefeituras decidiram parar no dia 1º de agosto, e portanto não entraram na contabilidade desta terça-feira.
Um dos principais motivos de insatisfação com o Estado está no custeio do transporte escolar. Os municípios reclamam que, desde o início deste ano, não recebem a contrapartida do Estado. Ontem, os prefeitos protocolaram uma proposta ao governo. De acordo com a proposta, os prefeitos abririam mão de receber os R$ 32 milhões previstos no orçamento deste ano para que o governo do Estado gerisse os recursos e aplicasse no transporte escolar. ''Se ele não confia na gente e não quer nos dar estes recursos, ele mesmo poderia gerenciar a aplicação da verba no transporte escolar. É uma responsabilidade do Estado e não dos municípios'', destacou o prefeito. Os recursos previstos no orçamento beneficiariam 192 mil alunos da rede pública estadual de ensino.
O governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que não vai aceitar a proposta dos prefeitos. Em entrevista, ele garantiu que o governo do Estado trabalha em turno integral e tem recursos para investimento em setores essenciais para a população paranaense, como educação, saúde e segurança pública. ''Vamos assumir o que nos compete'', disse Requião.
A Secretaria de Estado da Educação entende que a AMP se precipitou, e aguarda novas reuniões com o governador para resolver o impasse. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, declarou através de sua assessoria que o governo não vai deixar de ajudar os municípios a qualificar professores e construir escolas.
Além do Paraná, as prefeituras dos estados de Goiás, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Maranhão e Piauí já tomaram medidas para a contenção de gastos. ''Estamos todos na mesma situação'', alertou. Além da falta de repasse de recursos do transporte escolar, os prefeitos reclamam que as verbas para saúde e educação são insuficientes. O governo federal repassa R$ 1,50 para a compra de medicamentos e atendimento da população que procura o Sistema Único de Saúde (SUS) e R$ 0,13 por aluno (por mês) para a merenda escolar.

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