Adesão a greve é maior no Paraná
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No Paraná, a adesão dos servidores federais à paralisação contra a reforma da previdência foi maior que a nacional. As diversas categorias são contra as mudanças no sistema previdenciário brasileiro, mas nem todas estão paradas por tempo indeterminado no Estado. De acordo com levantamento dos próprios servidores, a paralisação nacional envolveu cerca de 45% dos 1 milhão de funcionários públicos do governo federal.
Na Receita Estadual, a adesão anteontem foi de aproximadamente 90%, segundo a Affep Sindical, o sindicato que representa os fiscais da Receita do Paraná. São cerca de 800 servidores. O pessoal da Receita Estadual voltou ao trabalho ontem. Eles pararam apenas na terça-feira, para dar suporte à mobilização nacional. Já a Receita Federal continua a greve iniciada na terça-feira, até completar 72 horas. A adesão, segundo a direção do sindicato da categoria, é maciça também: praticamente 80% dos 600 servidores. Na terça e na quarta-feira, paralisaram as atividades auditores e técnicos. Hoje devem permanecer em greve apenas os auditores da Receita Federal.
No Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde a greve continua por tempo indeterminado, a adesão aumentou. Das 50 agências em todo o Estado, 13 fecharam as portas (três a mais do que anteontem). A paralisação dos funcionários do INSS aconteceu em Curitiba e região metropolitana, Londrina, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu.
A Polícia Federal (PF) retomou as atividades normais ontem, incluindo as vistorias e emissões de passaportes. Na terça-feira, deixaram de ser entregues cerca de 120 passaportes. Anteontem, foi mantido 30% do efetivo funcionando, para atender as emergências. No Centro Federal de Educação Tecnológica no Paraná (Cefet-PR), cerca de 70% dos 2 mil professores e funcionários aderiram à greve. Os funcionários da Justiça Federal reuniram-se no início da noite em assembléia, para decidir se param também ou não. Até o fechamento desta edição, não havia uma definição. Hoje pela manhã as principais lideranças do movimento grevista reúnem-se em Curitiba para fazer um balanço e definir ações conjuntas.
Assim que a greve foi deflagrada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não estar preocupado. Ele acredita que a greve não vai atrapalhar a votação da reforma, na Câmara Federal. Lula afirmou que a greve é um direito do trabalhador, mas ameaça descontar os dias parados. O governo se mostrou disposto a negociar pontos da reforma, prevista na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 40.
O governo do Paraná acompanha com interesse a tramitação da reforma previdenciária, que terá reflexos no Estado. O Estado investe hoje cerca de R$ 100 milhões no pagamento de 88 mil aposentadorias e pensões.


