Adauto pede apoio à CEI do PR
James Alberti
De Curitiba
O delegado Adauto Abreu de Oliveira, chefe da Força Especial de Repressão Anti-Tóxico (Fera) e nome certo para depor na CPI do Narcotráfico quando esta vier ao Paraná, encaminhou ofícios ao comando da Polícia Civil do Estado pedindo recursos para trabalhar. Ao designar há pouco mais de um mês Oliveira chefe da Fera, o delegado-geral João Ricardo Képes Noronha, afirmou que o delegado teria todos os recursos que precisasse para combater o crime organizado. Até ontem, Oliveira contava apenas com três veículos e 14 homens, três deles em férias e um em licença.
Anexo ao ofícios, o delegado encaminhou uma lista contendo 36 ítens. Dentre os pedidos estão três linhas telefônicas, identificadores de chamadas, equipamentos para monitorar celulares analógicos e digitais, filmadoras, gravadores, binóculos, câmeras de vídeo, microfones sem fio, módulo de detenção de drogas e armamento pesado. Oliveira afirmou ter encaminhado um pedido há dez dias. O delegado geral disse que viria no dia seguinte, mas não veio.
Para obter rapidamente os equipamentos, que considera vitais para o trabalho, Adauto de Oliveira pediu ajuda à Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa. Ontem, o delegado esteve reunido com o presidente da CEI, Angelo Vanhoni (PT). Ao deputado, Oliveira pediu ainda empenho para criação da Divisão de Repressão ao Narcotráfico, medida que depende da Assembléia, e de uma vara privativa de julgamento de crimes do narcotráfico.
A vara específica é importante para que os processos de traficantes não tramitem em varas comuns, ficando embaixo de pilhas de crimes de estelionato e brigas de marido e mulher, explicou o delegado. No ano passado, conforme ele, três grandes traficantes do Estado foram liberados pela Justiça por excesso de prazo, entre eles Maurício Miranda e Valdirene Perroti de Oliveira.
Além das mais de duas mil denúncias feitas pela população, os agentes da Fera devem investigar o envolvimento de policiais com o crime organizado. Por diversas vezes Adauto de Oliveira afirmou que há mais de 33 policiais envolvidos com o tráfico de drogas no Estado. Estes, segundo o delegado, só podem ser presos com provas contundentes, que somente seriam obtidas com o uso dos equipamentos que o grupo de elite ainda não tem. O delegado geral foi procurado ontem pela Folha, mas não foi encontrado. Sua assessoria não retornou ligação telefônica.





