Os proprietários da agência Transoceânica Passagens e Turismo e da Transcorp Distribuidora de Títulos Imobiliários, Ernesto de Veer e Gerard Fuchs, acusados de movimentar as empresas ‘fantasmas’ que lavaram o dinheiro dos precatórios no Paraná, tentaram colocar em suspeição a investigação feita pelos senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Vilson Kleinubing (PFL-SC) sobre o escândalo dos títulos públicos. Veer entregou uma fita cassete ao jornalista Paulo Henrique Amorim, da rede Bandeirantes, revelando o teor de uma conversa entre o acusado e o senador Kleinubing.
No telefonema, que foi ao ar em rede nacional na última sexta-feira - horas depois do depoimento de Veer e Fuchs na Polícia Federal -, o senador de Santa Catarina se compromete a ‘aliviar’ a responsabilização do acusado se ele concordasse fornecer mais detalhes sobre o esquema movimentado na agência do Banco do Brasil do Alto da Rua XV, em Curitiba. Kleinubing disse ainda que se Ernesto de Veer entregasse algumas provas das denúncias, estaria liberado do depoimento na PF.
O vazamento da fita irritou o senador de Santa Catarina, que disse a Requião, ainda na noite de sexta-feira, estar arrependido de ter ‘‘amolecido com bagrinhos para pegar os tubarões’’. Kleinubing afirma que deu cerca de 40 telefonemas ao empresário e não nega que lhe ofereceu a regalia. ‘‘Os integrantes da CPI se comprometem a defender, sob o ponto de vista criminal, todas as pessoas que colaborarem’’, declarou o senador, emendando que ‘‘é uma prática da Comissão que no início dos trabalhos por pouco não votou uma lei de anistia’’ para os envolvidos que ajudassem nas investigações.
Para o senador, a entrega da fita prova que ‘‘os acusados são culpados’’. ‘‘De forma alguma eu e o senador Requião estamos preocupados com isso. Este fato não coloca em suspeição o nosso trabalho, que ontem foi importante para desvendar a máfia dos precatórios’’, assinala.
Nenhum dos acusados pelo esquema de lavagem feito na agência do BB em Curitiba quis falar com os jornalistas ontem. A Folha ligou para as residências de Ernesto de Veer, Gerard Fuchs, - os proprietários da Transoceânica e Transcorp -, Nilson dos Santos - ex-gerente do BB do Alto da XV, atual do Portão e responsável pela Primo Fomento, a factoring que ajudou na lavagem -, e do ex-gerente do BB Silviano Tenório Câmara Filho, mas não houve o retorno. Nem o Palácio Iguaçu nem o grupo Inepar se manifestaram ontem sobre a lista de telefonemas apresentada por Requião e que sugere uma relação estreita com o governo de Santa Catarina e com o Banco Boa Safra. (L.D.)

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