Além do início da investigação por quebra de decoro, na Comissão de Ética, outra resposta que a Câmara quer dar à sociedade londrinense é revogar a lei de doação de terreno - à empresa Flex Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Metais Sanitários Ltda. - e artigos de outras duas leis - sobre horário de funcionamento do Mercado Guanabara, inserida na lei que alterou o Código de Posturas, e sobre mudança de zoneamento para o lote nº 16, na Gleba Palhano - que beneficiaram três empresários, e sobre as quais se basearam inquérito policial e denúncia criminal do Ministério Público (MP).
As propostas, protocoladas ontem à tarde, partiram de quatro vereadores, três deles entre os cinco acusados pelos crimes de concussão e formação de quadrilha: Osvaldo Bergamin (PMDB), Flávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP). Complementa a autoria o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB).
De volta de ''viagem de férias'', como definiu, Vedoato defendeu a revogação como forma de ''demonstração para a sociedade de que não temos nenhum tipo de envolvimento''. ''Se houve algum beneficiado, eu não fui e nem os outros vereadores - quem tiver a consciência tranquila, tem que votar pela revogação, doa a quem doer'', sugeriu. Questionado se a medida pode soar como retaliação aos empresários - uma vez que, em depoimento, eles admitiram que a propina foi paga mediante achaques de Barros -, Vedoato eximiu-se: ''Só se for por parte de quem pegou dinheiro''.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), se mostrou receptivo aos projetos de revogação. ''É uma resposta à cidade de Londrina. Até porque, houve um momento bastante delicado que é a chamada corrupção, segundo declaram os empresários: se isso aconteceu, temos necessariamente que revogar, ou manteríamos leis extremamente corrompidas.'' Por outro lado, Souza sinalizou: ''Mas cabe analisar com cuidado a legalidade disso, assim como o Executivo o deve, pois é ele, por exemplo, que colhe os dados dos empresários beneficiados''. (J.G.)

mockup