Vários personagens acusados de envolvimento no esquema de corrupção da prefeitura de Londrina tiveram participação efetiva na eleição do governador Jaime Lerner (PFL) e da vice Emília Belinati (PTB), em 1998. É o que demonstra um relatório detalhado sobre como foi a campanha para o governo do Estado em 19 municípios da região de Londrina e Vale do Paranapanema, elaborado por Rafael Fuentes, funcionário do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e um dos responsáveis pela campanha de Lerner na região.
O documento consta de uma investigação do Ministério Público (MP) que apura denúncia de que dinheiro desviado de licitações fraudulentas da prefeitura financiaram campanhas políticas. Entre os citados no relatório estão Gino Azzolini Neto, ex-secretário de Governo do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido); Eduardo Alonso, ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb – atual CMTU); e Mauro Maggi, ex-presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Todos são réus em ações do MP por causa dos desvios em Londrina.
O relatório de Fuentes – que também foi presidente da AMA – mostra ainda que ‘‘a participação do voluntariado oriundo da estrutura do Estado (na campanha eleitoral) transcendeu todas as expectativas e registros anteriores’’. ‘‘Os municípios do Vale do Paranapanema souberam agradecer o inusitado volume de ações de governo recebidas, neutralizando tradicionais redutos de nosso adversário’’, diz trecho da conclusão.
A campanha na região foi montada a partir da chácara da família Belinati, na zona sul de Londrina. O local foi batizado de ‘Barracão’ ou ‘Mini-Curtume’. ‘‘Passou (a chácara) a significar a coordenação política regional e o ponto de convergência da organização do voluntariado, principalmente aquele oriundo da estrutura do Estado e do Município’’, diz o documento.
O relatório também detalha a atuação da equipe: ‘‘Estivemos incumbidos da distribuição de material de forma mais ampla que em 1994; tivemos que montar um esquema de distribuição de jornais; assumimos toda a burocracia jurídica; administramos 10 pessoas contratadas; alocamos eventos; co-participamos na preparação e acompanhamento dos percursos do governador e da vice na região e viabilizamos o sistema de fiscalização e apuração.’’
Ainda segundo o documento, a coordenação regional da campanha ficou por conta de Gino Azzolini Neto, apontado pelo MP como um dos principais envolvidos no escândalo de corrupção em Londrina. O ex-secretário foi o responsável pela contratação de fiscais pagos para a eleição – ‘‘em vista da exiguidade de estruturas do Estado’’. ‘‘A coordenação regional, na pessoa de Gino Azzolini, garantiu o aporte de recursos para efetuar tal contratação, que trouxe serenidade para a realização dos trabalhos no prazo estipulado.’’
Já Eduardo Alonso viabilizou a realização de um curso de formação de 320 delegados. ‘‘Cabe ressaltar aqui um destaque para a presteza de Eduardo Alonso em levantar recursos para aluguel das instalações e alimentação dos participantes’’, diz o documento. Ao MP, em novembro de 99, Alonso declarou que recursos públicos foram utilizados na campanha eleitoral. ‘‘Quando se aproximou a campanha eleitoral de 1998, intensificaram-se os pagamentos irregulares (...) a ordem para pagamento dessas empresas partia de Gino (Azzolini)’’, disse Alonso.

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