Os servidores da Acesf afastados do cargo estiveram na FOLHA no início da noite de ontem. De acordo com eles, não há irregularidades na recomendação da tanatopraxia, como venda forçada ou propina paga pelas empresas. Eles disseram ainda que a decisão final, em 100% dos casos, cabe às famílias. O preparador Antônio Vaz disse recomendar o serviço nos casos em que os corpos estão muito inchados, apresentam vazamento ou foram vítimas de doenças que aceleram a decomposição. ''Por exemplo, o HU (Hospital Universitário), como é um hospital-escola, segura a pessoa muito tempo viva para estudar e quando o corpo chega na Acesf, dependendo da doença, já está com odor fétido e secreção.''
O preparador Claudemir Medeiros repetiu as informações do colega. ''Sinceramente, acho que as famílias nos entenderam errado. Quando recomendava, era necessário para evitar constrangimento nos velórios.'' Ambos citaram o estatuto da Acesf que confere ao preparador a decisão final sobre o tempo que o cadáver pode ser velado.
O plantonista Mauro Pinto Ferreira afirmou que a denúncia do ex-funcionário do Tanatorium Bom Pastor Alex Martins, que deu início às investigações, decorreu de um desentendimento entre ambos que levou à sua demissão. ''Ele disse que ia me perseguir'', afirmou. Ferreira foi acusado nominalmente por Martins de receber propina das empresas. Atualmente, Martins está preso em Cornélio Procópio, acusado de tráfico de drogas - o que ele nega.
Sobre a informação oficial do Instituto Médico Legal (IML) de que a tanatopraxia é desnecessária para velórios com menos de 24 horas, os funcionários afirmaram que isso decorre de desconhecimento. ''Os médicos que dizem isso não vivenciam o pós-morte'', disseram.
Os três funcionários, porém, reconheceram que as duas empresas de tanatopraxia não exercem concorrência, o que mantém o alto preço do serviço na cidade. De acordo com eles, cada empresa faz um plantão de 24 horas e naquele período todos os corpos são enviados para quem está de portas abertas. (F.C.)

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