Acusados negam ter recebido dinheiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de maio de 1997
Agência Estado de Rio Branco 
O deputado federal Osmir Lima (PFL-AC) negou ontem ter recebido dinheiro para votar a favor da reeleição, como denuncia reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Lima disse ter compromisso com o governador do Acre, Orleir Cameli (sem partido). Mas nesse compromisso nunca houve acerto financeiro, afirmou. Além de Osni Lima também são acusados de ter recebido R$ 200 mil os deputados do Acre João Maia (PFL), Ronivon Santiago (PFL), Zila Bezerra (PFL) e Chicão Brígido (PMDB).
Ronivon (Santiago) é um homem que, vez por outra, faz brincadeiras grosseiras e denúncias infundadas, dispara Lima, que ameaça processá-lo. O deputado avisa que a possível quebra de seu sigilo bancário decepcionará. Minha conta está sempre no negativo.
O deputado Chicão Brígido, licenciado da Câmara, reagiu irritado. Isso é conversa de picareta que não tem o que fazer. Se tem algum picareta fazendo balcão de negócios com o seu mandato, esse alguém não sou eu. Chicão é vice-prefeito de Rio Branco e assumiu, há uma semana, a Secretaria de Representação Política e Cidadania da capital. O peemedebista afirma ter votado a favor da reeleição a pedido de Cameli e do prefeito Mauri Sérgio.
O deputado federal João Maia afirma que as denúncias de venda de voto têm um objetivo específico: inviabilizar o Acre. Isso tudo é uma armação de grupos que querem prejudicar o Acre e o governador Orleir Cameli. Maia disse que Ronivon terá que se explicar direitinho sobre a denúncia. O deputado, a exemplo dos demais, também nega ter recebido R$ 200 mil para votar a emenda da reeleição.
A deputada Zila Bezerra (PFL-AC), acusada de receber R$ 200 mil para votar pela emenda da reeleição, negou ter recebido esse dinheiro. Ela afirmou que havia se declarado contrária à aprovação da reeleição porque desejava mostrar ao Palácio do Planalto que precisava ser ouvida. A deputada afirmou que na véspera da votação, em 28 de janeiro, foi procurada pela ex-deputada Rose de Freitas, que a levou ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para o presidente, reclamou que há quatro anos aprovou uma lei criando duas áreas de zona franca no Acre e o governo nunca cumpriu a determinação legal. Zila afirmou ter sido procurada também pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir, e pelo secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, que lhe pediram o voto.
O deputado João Maia (PFL) aproveitou o plenário lotado, para a votação da reforma administrativa, para se defender. Disse que não tem nada a ver com a venda de votos.
O deputado Osmir Lima (PFL) afirmou que por trás da denúncia há preconceito contra o Estado do Acre. Lima se propôs a abrir mão de seu sigilo bancário, se a Câmara quiser.


