Acusados negam envolvimento com doleiro
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segunda-feira, 09 de abril de 2001
Lino Ramos de Londrina 
O servidor municipal João Edson Danziger, o segurança Antonio Carlos Neri Romero e o comerciante Eroni Miguel Peres negaram ontem que tenham ligações com o esquema de lavagem de dinheiro no Banestado, atribuído ao empresário e doleiro Alberto Youssef, preso no 3º Distrito Policial (3º DP) em Londrina.
Os três acusados foram interrogados ontem à tarde pelo juiz da 4º Vara Criminal, Arquelau de Araújo Ribas. Peres e Romero também estão presos no 3º DP. Danziger, mais conhecido por João Boquinha, é o único que não está preso porque obteve um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo o Ministério Público (MP), os acusados ajudaram Youssef a lavar R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) por meio de uma licitação fraudulenta. Os recursos foram depositados no Banestado na conta da Freitas & Dutra, supostamente criada pelos acusados com a falsificação de nomes, endereços e documentos para esquentar a empresa fantasma. Youssef, Danziger, Peres e Romero foram denunciados por fomação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
O cheque de R$ 120 mil foi emitido pelo empresário Cláudio José Menna Barreto Gomes, dono da empresa Sistema Design, Arquitetura e Urbanismo, sediada em Curitiba. Segundo a denúncia do MP, a importância era proveniente de crimes contra a administração pública (peculato), fraude em licitação e formação de quadrilha, cometidos pelo ex-prefeito Antonio Casemiro Belinati, o ex-presidente da AMA, Mauro Maggi, e outras pessoas.
Após prestar depoimento, João Boquinha tentou deixar o Fórum sem chamar a atenção. Ao ser abordado pela imprensa, não quis dar declarações. Eroni Peres (cunhado de Youssef) e Antonio Carlos Romero (segurança do doleiro) chegaram ao Fórum algemados. Ao ser questionado pela Folha , Peres disse que é inocente e está sendo vítima de perseguição. O advogado Antonio Agusto Figueiredo Basto afirmou que está pedindo um habeas corpus para Eroni Peres no STJ.
O advogado de Antonio Carlos Romero, Murilo Lopes Buchmann, também alegou que seu cliente trabalhou como segurança de Youssef, mas não teve envolvimento com os crimes atribuídos ao doleiro. Buchmann disse que Romero é inocente e apenas ia ao banco trocar cheques e fazer depósitos para Youssef. O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais, acompanhou o interrogatório. Segundo ele os acusados não trouxeram fatos novos ao processo.
O juiz Arquelau Ribas espera uma carta precatória enviada a Curitiba para o interrogatório do ex-diretor da Banestado Corretora, Gabriel Nunes Pires, também denunciado pelo MP. Ontem, Ribas não tinha informações do cartório se a precatória já foi cumprida. Não posso dar andamento no processo sem essa carta precatória, avaliou. Nunes é único dos 10 réus que ainda não teria sido ouvido em juízo. Entre os denunciados, estão o ex-superintendente do Banestado, José Colette, o ex-gerente do banco, Wilson Maeda, e a ex-funcionária, Maria Regina Fazan Bosqui.
O advogado João dos Santos Gomes Filho também recorreu ao STJ tentando um habeas corpus para Alberto Youssef. Ele alega que o crime de lavagem de dinheiro deve ser julgado pela Justiça Federal. Youssef ainda é acusado de movimentar R$ 150 milhões em 37 contas fantasmas, além de ser investigado em aproximadamente 30 processos abertos pela Polícia Federal (PF) em Londrina, Foz do Iguaçu e Brasília.


