Acusados negam desvios na UEPG
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Roberto Frederico Merhy e o atual vice-reitor, Ítalo Grande, participaram ontem da acareação feita pela CPI das Universidades na Assembléia Legislativa e negaram qualquer envolvimento com o suposto esquema de desvio de recursos, denunciado pelo ex-chefe do setor de Receita da instituição Darci Santos. Os dois confirmaram que tiveram os cursos de pós-graduação, em Economia Industrial, pagos pela UEPG, e que estão devolvendo os valores corrigidos por determinação da comissão interna de sindicância, que entendeu que o subsídio foi irregular, pois não teria passado pela aprovação do Conselho de Administração da universidade.
Participaram, ainda, da acareação o ex-pró-reitor de Administração e Recursos Humanos Nadir Laidane e o ex-chefe da Divisão Financeira da UEPG Gabriel Inácio Kravchychyn, que também negaram as acusações. Darci Santos havia acusado Kravchychyn de ordenar que ele arrumasse um jeito de desviar o dinheiro, que era, supostamente, entregue a Laidane. Kravchychyn apenas confirmou que, por algumas vezes, entregou um envelope lacrado ao ex-pró-reitor e este garantiu que a soma correspondia ao valor dos cursos de Merhy e Grande.
Merhy afirmou que a UEPG pagou 20 parcelas no valor de R$ 451,30 pelo seu curso. O mesmo valor teria sido pago pela pós-graduação do professor Ítalo Grande, na época diretor do Departamento de Agropecuária e Tecnologia da UEPG. ''Justo, lícito, e nunca determinei que nada ilegal fosse feito'', afirmou o ex-reitor ao ser questionado pelo relator da CPI das Universidades, deputado Neivo Beraldin (PDT) se achava justo que a UEPG bancasse sua especialização.
Darci Santos voltou a afirmar que desviava entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por semana, adulterando as fitas de autenticação do caixa da tesouraria. Depois de negar em duas sessões de depoimento que não se beneficiava com o esquema, ontem, o funcionário declarou que recebia uma comissão de 20% a 30% do valor desviado.
Kravchychyn entregou à CPI cópias das declarações de Imposto de Renda (IR) dos últimos seis anos e certidões negativas de cartórios de Ponta Grossa para comprovar que não tem nenhum imóvel em seu nome.
Ítalo Grande quis deixar claro à CPI que o pagamento dos cursos de mestrado não tem ligação com os indícios de desvios de recursos na UEPG. Ele lembrou que a sindicância aberta pela atual gestão, que acabou virando proceso administrativo, apontou o desvio de R$ 62 mil, e afirmou, inclusive, que o valor deve ser maior.
O presidente da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), apresentou uma gravação, em fita cassete, que seria de uma conversa entre Darci Santos e Kravchychyn sobre o suposto desvio. Darci Santos disse que gravou a conversa com o objetivo de se resguardar de eventuais problemas, mas disse que não lembrava onde e em que cirscunstâncias a gravação foi feita. O áudio, de péssima qualidade, segundo Bradock, seria encaminhado, ainda ontem, para perícia tentar identificar as vozes.
Bradock informou, também, que a CPI encaminharia um ofício ao governador Roberto Requião (PMDB) para que ele tome conhecimento dos fatos e decida sobre as sanções a serem aplicadas contra os servidores da UEPG. A CPI já pediu à Justiça a quebra de sigilo bancário e telefônico dos citados na acusação.


