Os dois servidores acusados de envolvimento no desvio de R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Maringá, Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa, negaram ontem conhecer o esquema utilizado pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, para se apossar de dinheiro público. O advogado Waldenir Ronaldo Corrêa, servidor licenciado da prefeitura e funcionário de Paolicchi, também prestou depoimento na Justiça Federal, e alegou que apenas obedecia ordens. Paolicchi, que teve a prisão preventiva decretada, mas está foragido, será citado para depor via edital.
Os três saíram apressadamente após os depoimentos. Eles não quiseram se manifestar. O advogado de Sossai e de Rosimeire, o criminalista Israel Batista de Moura, disse que os dois ‘‘se sentiram usados’’ por Paolicchi. Ele garantiu que o depoimento ‘‘inocentou’’ Sossai e Rosimeire. ‘‘O Sossai tem 24 anos de prefeitura e os bens compatíveis com a função e a renda. Os dois faziam apenas o serviço deles’’, afirmou.
Moura disse ainda que o ‘‘procedimento técnico’’ dos dois servidores está correto, e que os cheques eram assinados sempre confirmados com empenhos. ‘‘O Tribunal de Contas (TC) e a Câmara aprovaram todas as contas nestes anos’’, comparou. O procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, acha que o depoimento não inocentou os dois servidores. Primeiro porque os dois foram nomeados para cargos de chefia por Paolicchi, e depois porque a procuradoria solicitou empenho dos cheques desviados, e a prefeitura alegou não ter encontrado os documentos.
Segundo o procurador, no processo existem ainda provas sobre o envolvimento de Sossai e de Rosimeire. De acordo com Silva, eles conheciam todo esquema de desvio de dinheiro da prefeitura. O desvio de R$ 2,6 milhões, que gerou uma ação civil pública e a penal contra os acusados, era feito com cheques da prefeitura, de valores diferentes e depositados em uma conta de Waldenir Ronaldo Corrêa. Da conta dele, o dinheiro era transferido para a conta de Paolicchi. Na semana passada, o MP descobriu cheques da prefeitura no valor de R$ 549 mil, que eram destinados à conta do prefeito Jairo Gianoto (PSDB), incluído na ação, totalizando R$ 3,1 milhões de desvios.

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