Acusados envolvem primeira-dama em fraudes na Saúde
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
A primeira-dama de Londrina, Ana Laura Lino Barbosa, teve o nome envolvido ontem nas investigações de fraudes envolvendo as Organizações de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) Atlântico e Gálatas. Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-conselheiro Muncipal de Saúde Marcos Rogério Ratto disse que a mulher do prefeito Barbosa Neto (PDT), era a chefe do ''esquema de arrecadação de recursos da sa© úde'', por meio da cobrança de propina do Instituto Atlântico, que presta serviços como o gerenciamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O diretor do Instituto Gálatas, Silvio Luz Rodrigues Alves, - solto esta semana - voltou ao Gaeco ontem, e também confirmou que o nome da primeira-dama era citado em ''certas ocasiões''.
Ratto não conversou com a imprensa, mas em entrevista coletiva, seu advogado, Petrônio Cardoso, disse que o ex-conselheiro relatou ao Gaeco que Ana Laura pressionou conselheiros municipais de Saúde a aprovar a contratação do Instituto Atlântico. Tal exigência teria ocorrido por influência de um homem identificado como Rui Nogueira, de Curitiba, que teria estreito relacionamento com Ana Laura e Bruno Valverde Chahaira, presidente do Instituto Atlântico. Conforme Cardodo, o dinheiro era repassado à primeira-dama por Joelma Aparecida da Silva, esposa do ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçu. Joelma pegava o dinheiro de Bruno, o qual tratava Ana Laura por ''patroa'', e o entregava à primeira-dama. ''Ana Laura apenas arrecadava a propina e não a distribuía'', observou o advogado. Fidélis e Joelma estão presos desde a semana passada, quando foi deflagrada a operação Antissepsia.
Ainda segundo Cardoso, Ratto, ao convencer o Conselho a aprovar a entrada do Instituto Atlântico, ''negociou, então, com Ana Laura para que pelo menos uma Oscip fosse de Londrina; foi aí que entrou o Gálatas''. Ratto admitiu que recebia propina do Gálatas - pelo menos três parcelas de R$ 1,5 mil foram depositadas na conta bancária de seu companheiro, Gilberto Alves de Lima, que também está preso.
O advogado de Ratto disse ainda que na versão de seu cliente, ''embora Ana Laura não fosse a Secretária de Saúde de direito, era ela quem, de fato, mandava e manda na saúde pública do município''. O ex-conselheiro não mencionou o prefeito em seu depoimento e também não soube informar de quanto seria a propina recebida por Ana Laura. ''Os relatos de meu cliente foram feitos com base em informações dadas a ele por Bruno Valverde.''
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, não deu detalhes sobre o depoimento de Ratto, mas confirmou que outros depoentes já haviam mencionado o nome da primeira-dama. ''Já ouvimos o nome dela em outra oportunidades, mas só faremos um juízo de valores da participação dela ou de outras pessoas envolvidas no momento da propositura da ação penal'', disse. ''Até agora o nome do prefeito não foi comentado, sendo certo que, se assim o fosse, a competência seria deslocada para o Tribunal de Justiça'', explicou Castro.
O promotor também preferiu não comentar sobre a tipificação criminal das condutas dos investigados, dando indícios de que se vislumbra possível formação de quadrilha. ''É certo que se é uma quadrilha que se organiza para desviar dinheiro dos cofres públicos, todos vão responder pelo mesmo crime.'' O Gaeco ainda não apurou qual era o destino do dinheiro supostamente arrecadado com a cobrança de propina.


