Campo Grande Três acusados de participar do assassinato da prefeita de Mundo Novo (MS), Dorcelina Oliveira Folador (PT), foram condenados a penas que somam 39 anos e seis meses de prisão. O julgamento ocorreu em Campo Grande, durou 16 horas e terminou no início da madrugada de ontem. Theófilo Stocker, de 59 anos, vai cumprir 13 anos e seis meses de prisão por ter escondido a arma do crime, uma pistola calibre 380. Valdenir Machado, de 35 anos, e Ismael Meurer Silveira, de 32, foram condenados a 13 anos de reclusão cada um. Outros três acusados aguardam julgamento.
Segundo a sentença do juiz Júlio Roberto Cardoso, Machado e Silveira ajudaram o atirador, Getúlio Machado, irmão de Valdenir, a planejar o assassinato e a se esconder. Por ser crime hediondo, os três condenados, que já estavam presos desde dezembro 1999, vão cumprir a pena em sua totalidade, ou seja, sem progressão para o regime semi-aberto.
O advogado Luiz Cláudio Nunes Lourenço entrou ontem com pedido de anulação do julgamento. A defesa nega a participação dos três no assassinato. ''Não havia provas no processo para a condenação. Em sete meses, o Tribunal de Justiça deve tomar uma decisão sobre o pedido de anulação'', disse Lourenço à reportagem.
Dorcelina foi assassinada a tiros em outubro de 1999, quando estava na varanda de sua casa em Mundo Novo, onde era prefeita. O crime foi encomendado, segundo denúncia do Ministério Público, por R$ 35 mil. O julgamento foi acompanhado por lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e deputados do PT.
César Folador, de 47 anos, viúvo de Dorcelina, acompanhou o julgamento e, após a condenação, recebeu cumprimentos de militantes do PT e do MST, que comentavam ser o 13 um ''bom número'' de anos de prisão para cada acusado em referência ao número do PT. Folador declarou que não tinha dúvidas de que os réus seriam condenados. ''Eu sabia com certeza que eles iram pegar de dez anos para cima. Eles merecem mais'', disse.
Dorcelina não suspeitava do seu ex-secretário da Agricultura, Jusmar Martins da Silva, de 37 anos, apontado como mandante do crime. ''Em nenhum momento ela esperava que o Jusmar fosse fazer alguma coisa. Foi exonerado, mas não ficou muito chateado'', declarou Folador.
A Polícia Militar fez um cordão de isolamento dos jurados, promotores, advogados e juiz durante a leitura da sentença, para o caso de manifestantes promoverem manifestações violentas se não houvesse condenação. O processo dos acusados tem 3 mil páginas, distribuídas em 11 volumes. Após proferir as sentenças, o juiz Cardoso disse que ''realmente a Justiça tarda, mas não falha''.

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