Acusados de desvios da Sudam têm chances nas eleições
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2002
Agência Estado 
Brasília Desde o desmantelamento do Esquema PC, que custou o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, nenhum outro caso de fraude com dinheiro público abalou tanto o País e atingiu tanto políticos quanto os desvios de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Foram abertos cerca de 140 inquéritos e processos e mais de 300 pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o caso. Entre elas, pelo menos quatro políticos de expressão nacional, todos disputando as eleições com chances de vitória. De R$ 1,3 bilhão desviado, nenhum tostão voltou para a União.
O escândalo da Sudam começou ainda em 1999. Depois de dois anos de investigação, foi decretada a prisão preventiva de 56 pessoas, um fato inédito desde o fim do Esquema PC, como ficou conhecido a sistemática de corrupção do ex-tesoureiro de campanha de Collor, Paulo César Farias. Mas ninguém ficou preso mais de cinco dias.
A partir daí, o foco das investigações se voltou para Jader, cujos aliados eram os principais envolvidos. Além da ação do Ministério Público federal, Jader teve em seu encalço o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). O desgaste foi tanto que ele renunciou ao mandado de senador, mas tenta agora voltar ao Congresso, via Câmara dos Deputados. Jader deverá ser um dos deputados mais votados do Pará. Ele está com a prisão preventiva decretada pela Justiça de Mato Grosso.
Outro político atingido pelo escândalo é o senador Fernando Bezerra. Uma gravação telefônica feita pela Polícia Federal mostrou que seu secretário-executivo, Benivaldo Alves de Azevedo, conversava com fraudadores. Hoje ele é candidato ao governo da Paraíba. Se não ganhar, ainda tem mais quatro anos como senador.
A ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PFL) sofreu, talvez, o maior prejuízo eleitoral no rastro dos escândalos da Sudam. Pré-candidata à Presidência da República pelo PFL, ela foi acusada, quando estava em alta nas pesquisas de intenção de votos, de ter facilitado a aprovação do projeto Usimar Componentes Automotivos, que recebeu financiamento de R$ 44 milhões sem ter nunca saído do papel.
Outro ligado a Jader, e que está disputando a eleição pela primeira vez, é o ex-superintendente da Sudam José Arthur Guedes Tourinho, que também está com sua prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele tenta uma vaga na Assembléia Legislativa.


