Acusados de compra de apoio completam um mês na prisão
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Edson Ferreira Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Amanhã fará um mês que o ex-secretário de Governo do prefeito Barbosa Neto e coordenador das eleições 2012 do PDT em Londrina, Marco Cito, e o empresário e representante da cooperativa de recicladores Cooprelon, Ludovico Bonato, estão detidos na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). Os dois foram presos em flagrante pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público (MP), no dia 24 de abril, após Bonato ter entregado R$ 20 mil ao vereador Amauri Cardoso (PSDB) no suposto caso de compra de apoio ao prefeito Barbosa Neto (PDT).
Uma semana depois, em 1º de maio, foram presos o chefe de Gabinete de Barbosa, Rogério Ortega, o ex-diretor de Participações da Sercomtel Alysson de Carvalho, e o vereador afastado Eloir Valença (PHS). Carvalho saiu da cadeia após obter um habeas corpus no plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJ), mas teve a liberdade revogada pela juíza de segundo grau Lilian Romero, que atua na 2 Câmara Criminal do TJ. Ele está foragido. Ontem seu advogado, Miguel El Kadri, não foi localizado. Alysson Carvalho foi exonerado do cargo na semana passada pela então presidente interina da Sercomtel, Eloiza Pinheiro. Já Rogério Ortega é mantido no cargo por Barbosa Neto, que diz acreditar na inocência dos acusados.
Eloir também foi libertado. O então juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Luiz Eduardo Asperti, aplicou medida cautelar alternativa à prisão, determinando seu afastamento do cargo de vereador em 4 de maio. Ontem a defesa protocolou habeas corpus no TJ para tentar reverter a decisão. ''Prefiro não falar sobre a tese da defesa até o Tribunal julgar o pedido'', afirmou o advogado Rafael Pio Mello, que atua em conjunto com André Cunha.
Em favor de Cito, tramitam no TJ dois habeas corpus cujas liminares foram negadas. O julgamento de mérito deve ocorrer em breve. A FOLHA procurou o advogado de Cito, João dos Santos Gomes Filho, mas o seu celular estava desligado.
O advogado Maurício Carneiro, defensor de Bonato e Ortega, lamentou a permanência das prisões preventivas, mesmo após a apresentação da denúncia criminal. Carneiro disse que a ''situação processual'' dos dois réus é semelhante, porém, no caso de Bonato, o advogado espera julgamento amanhã.
Quanto a Ortega, Carneiro afirmou que a análise do HC deve ficar para a semana que vem porque, segundo ele, o juiz em Londrina ainda não forneceu as informações sobre o processo para a juntada aos autos no TJ, procedimento padrão para cada acusado. ''Não entendo por que, com o réu preso, o juiz não deu o parecer dentro do prazo.'' Sobre as acusações, o advogado negou que o chefe de Gabinete tenha participação no suposto esquema de compra de votos, investigado pelo MP.
''Desafio qualquer um a me apresentar a conduta criminosa do Rogério. É preciso identificar qual é o ato, o dia que aconteceu e como foi. Não pode se basear em conversa de terceiros.'' Conforme a FOLHA publicou na sexta-feira, com base nos depoimentos que constam do processo, Bonato confirmou que Ortega sabia da suposta irregularidade. ''Você é preso por saber de um crime?'', questionou Carneiro.
Cito, Ortega, Bonato, Carvalho, Eloir e o ex-presidente da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes, foram acusados de corrupção e formação de quadrilha pelo MP. Coutinho foi afastado do cargo pela Justiça, também como medida alternativa à prisão.
O suborno ao vereador Amauri Cardoso seria para que o parlamentar - que denunciou previamente o crime ao Gaeco - votasse contra a abertura de uma Comissão Processante (CP) para investigar se dois vigilantes contratados para trabalhar na emissora de rádio da família do prefeito foram pagos com dinheiro público. Já Eloir teria concordado em passar para a base de apoio ao prefeito em troca de apoio financeiro para a campanha.


