Acusados da 'Voldemort' estariam agindo desde 2013
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Edson Ferreira <br>Reportagem Local 
O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) do Paraná, narrando os crimes de falsidade ideológica, formação de organização criminosa e fraude em licitação, apurados na operação batizada de Voldemort alusão ao bruxo das histórias de Harry Potter, cujo nome não pode ser pronunciado. Apontado como o líder do grupo, o empresário Luiz Abi Antoun, parente do governador Beto Richa (PSDB), e mais seis suspeitos tornaram-se réus no processo. Eles teriam se articulado a partir de 2013, ao constituir a oficina, com o objetivo de obter vantagem indevida por meio de ações criminosas contra a administração pública.
Conforme as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do MP, a contratação emergencial, em 2014, da oficina Providence, de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), para manutenção de veículos oficiais do Estado do Paraná, ocorreu de maneira fraudulenta. Abi, que era citado pelos demais acusados como "Chefe", "o Cara", "o Amigo", embora não ocupe cargo público, teria, segundo as investigações, influência política em diversas esferas do governo, inclusive na Polícia Militar (PM), principal cliente da oficina Providence. O empresário exercia sob a organização "temor reverencial" pela sua condição política e teria se aproveitado disso também para forjar a contratação da oficina.
Foram denunciados, ainda, Roberto Yoshimasa Tsuneda, sócio de Abi na empresa KLM Brasil, vizinha à Providence; Ismar Ieger, "testa de ferro" de Abi e Tsuneda na oficina de Cambé; o advogado José Carlos Lucca, responsável por dar "aparência" de legalidade aos procedimentos supostamente fraudulentos; o ex-diretor do Departamento de Transporte Oficial (Deto), Ernani Augusto Delicato, que teria atuado para direcionar a licitação; o empresário Paulo Roberto Midauar, que teria a atribuição de intermediar os contatos entre Delicato e Ieger e entre Abi e os demais integrantes do grupo; e o soldado da PM, Ricardo Baptista da Silva, acusado de colaborar dolosamente com fraude.
À exceção de Baptista, todos os acusados tiveram prisões decretadas pela Justiça durante o inquérito policial, mas apenas Midauar permanece detido em Londrina. Os demais foram beneficiados por habeas corpus concedidos pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
No despacho em que recebe a denúncia do Gaeco, o juiz Juliano Nanuncio acata todos os pedidos feitos pelos promotores e autoriza o compartilhamento da provas levantadas na operação Voldemort, inclusive aquelas decorrentes de interceptação telefônica. Assim, a promotoria de Defesa do Patrimônio Público poderá utilizar o material para, eventualmente, apresentar ações de improbidade administrativa. Também a Secretaria de Estado da Administração e Previdência (Seap) terá acesso às provas para abrir apuração administrativa sobre a contratação da oficina Providence, que atuou até o começo deste ano.


