Acusado diz que vai recorrer
Um dos condenados pela Justiça Federal é o engenheiro agrônomo Antônio José Viana Neto, à época dos supostos crimes, ex-marido da atual secretária municipal de Educação, Karin Sabec Viana. Segundo a setença do juiz Sérgio Luiz Moro, de 179 páginas, Viana teria vendido a Dinocarme Aparecido Lima, terras em Altamira, no Pará, por mais de R$ 47 milhões.
Uma das propriedades estava em nome de Viana e Karin e foi paga por Dinocarme com títulos ''podres'' do Eletrobrás cuja valor atestado por avaliação falsa, segundo o juiz, seria de R$ 26 milhões. Os títulos, com data de 1966, nada valiam e a propriedade valia muito pouco, conforme consta da sentença. ''As dezenas de milhões pagos pelo Ciap ainda contrastam com os preços pagos pelos imóveis nas transações anteriores, de R$ 15 mil e R$ 80 mil apenas'', escreveu o magistrado. Tais imóveis eram áreas de proteção permanente e, por isso, mesmo, tinham baixo valor para transação.
Em sua decisão, o juiz anota que a aquisição dos títulos podres e das terras improdutivas foi uma forma de lavar dinheiro oriundo dos desvios de recursos que a entidade obtinha de convênios com o poder público, isto porque, o Ciap é entidade sem fins lucrativos e teria que devolver eventuais sobras de recurso. ''O estratagema serviu para dissimular e ocultar o destino real do produto do crime de peculato.''
Viana foi condenado a oito anos e três meses de prisão e disse que irá recorrer da decisão. ''Eu não conhecia ninguém do Ciap. Apenas negociei minha propriedade com um intermediário'', disse Viana à FOLHA. ''Recebi títulos da Eletrobras e cerca de R$ 1 milhão, mas os títulos nada valiam.''





