Curitiba - Doze anos após o crime, começa hoje o julgamento de Jair Fermino Borracha, acusado de matar o sem-terra Eduardo Anghinoni. O agricultor foi alvejado num assentamento no noroeste do Paraná, em 1999.
Segundo os sem-terra, Anghinoni foi morto no lugar do irmão, Celso Anghinoni, um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Estado.
Na época do crime, o réu era contratado de uma empresa de segurança que, segundo o MST, trabalhava para ruralistas da região. Uma perícia indicou que a bala que atingiu Anghinoni partiu da arma do acusado. Borracha nega participação no crime.
O inquérito policial, por sua vez, foi inconclusivo sobre quem foi o mandante do assassinato.''Infelizmente, até hoje, absolutamente ninguém foi responsabilizado pelos crimes praticados por milícias contra sem-terra no Paraná'', diz o advogado Fernando Prioste, que atua como assistente de acusação no processo.
Das últimas oito mortes de sem-terra no Estado, segundo levantamento da ONG Terra de Direitos, cinco processos ainda aguardam julgamento e, em outros três, os acusados foram absolvidos.''O que está acontecendo no Pará hoje é o que aconteceu nessa região do Paraná há 15 anos'', afirma Prioste.
Em Belém
A polícia prendeu em flagrante duas pessoas suspeitas pela morte de um morador de um assentamento rural em Dom Eliseu, no sudeste do Pará, na carvoaria de sua propriedade. Francisco Soares de Oliveira, 44, foi assassinado no último domingo no assentamento Alto Bonito, com um tiro no tórax e outro no abdômen. A polícia descartou relação com conflito agrário e afirmou que uma testemunha relatou ter visto Francisco Pereira de Souza, 25, fazendo os disparos. Outras testemunhas disseram que os suspeitos haviam discutido com a vítima e feito ameaças na véspera do crime.

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