Acusado de homicídio, deputado se diz perseguido
Curitiba - O deputado Mário Sérgio Zacheski (PMDB), o delegado Bradock, defendeu-se ontem das denúncias feitas contra ele pelo Ministério Público (MP) estadual. O MP ofereceu duas denúncias ao Tribunal de Justiça (TJ) contra Bradock e outros três policiais civis. Eles são acusados de homicídio, tentativa de homicídio, tortura, fraude processual, porte ilegal de arma e falsidade ideológica.
Em entrevista a jornalistas no plenário da Assembléia Legislativa, Bradock disse que as acusações são ''perseguição política''. ''Isso aconteceu há dois anos, e o inquérito já havia sido arquivado. Por que agora estão fazendo isso?'', questionou. O deputado disse que não foi ouvido pelo Ministério Público, e acredita que o MP possa estar sendo usado. ''Isso é coisa da época da inquisição'', reclamou.
As denúncias foram assinadas pelos procuradores Francisco Branco, Munir Gazal, e pela procuradora-geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes. Uma foi protocolada no TJ em 28 de fevereiro e a outra no dia 6 deste mês.
Pela manhã, o advogado Cláudio Dalledone Júnior, que representa o deputado Bradock, negou numa entrevista coletiva as acusações, durante uma entrevista coletiva. Dalledone colocou sob supeita as investigações feitas pelo MP e também afirmou que as denúncias são resultado de perseguição política.
''Não há dúvida de que as acusações são políticas. Bradock ascendeu muito politicamente em um local onde a política regional é complicadíssima'', afirmou Dalledone, referindo-se principalmente ao município de Rio Branco do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, onde o deputado foi delegado antes de ser eleito.
Dalledone questionou o fato de que as denúncias de envolvimento de Bradock em dois crimes diferentes tenham sido feitas na mesma época (entre 12 e 18 de fevereiro deste ano), apesar dos crimes terem ocorrido há mais de dois anos, em janeiro de 2001.
O segundo argumento refere-se ao trabalho feito pela Procuradoria de Investigação Criminal (PIC). A Procuradoria, para ele, não investigou o caso, não ouviu todos os lados e se restringiu a ouvir apenas alguns alguns depoimentos pinçados para prejudicar Bradock.
Assim que o deputado receber a notificação do TJ sobre as denúncias, conforme prevê a lei, o advogado encaminhará por escrito a defesa prévia. Depois, caso o desembargador designado pelo TJ decida acatar as denúncias, o procedimento se transformará em ação penal. Neste caso, Dalledone já avisou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.(Colaborou Maria Duarte)





