Curitiba - O chefe do Departamento de Fomento aos Municípios da Secretaria Estadual de Transportes, Ivo Roncaglio, pediu afastamento de suas funções ontem. Roncaglio está sendo investigado por ter supostamente tentado extorquir R$ 60 mil da empresa de alimentação Nutrilac, com sede em Cascavel. Em nota oficial divulgada ontem, o chefe de departamento afirma que para evitar constrangimentos ao governador Roberto Requião (PMDB) e poder provar sua inocência, ficará afastado do cargo durante a investigação.
A Nutrilac venceu uma licitação da Secretaria de Estado da Educação no valor de R$ 1,2 milhão para fornecer achocolotados para as merendas escolares. Segundo o proprietário da empresa, Walmor Fanton, Roncaglio teria exigido R$ 60 mil para que a licitação não fosse invalidada. ''Ele pressionou, dizendo que se não pagássemos ele podia decretar a nulidade da licitação. Eu recusei, mas ele procurou meu filho, que ficou com medo de que ele realmente pudesse fazer algo nesse sentido e assinou os cheques'', explicou Fanton.
Apesar da licitação vencida pela Nutrilac não ser da Secretaria de Transportes, Roncaglio tem força política no governo e na cidade por ser presidente do diretório cascavelense do PMDB, partido do governador. O chefe de departamento, na nota oficial, afirmou que ''por razões que em ocasião apropriada poderei relatar, vi-me envolvido em uma denúncia absolutamente infundada''.
A Ouvidoria do Estado decretou a abertura de uma investigação para apurar os fatos. O ouvidor-geral e corregedor Luiz Carlos Delazari espera que a investigação seja rápida. ''Esperamos ter chegado à verdade dos fatos em no máximo uma semana. Amanhã (hoje) ouviremos o empresário de Cascavel, e começaremos a tomar outros depoimentos'', explicou.
Para o secretário de Transportes, Waldir Pugliesi, o afastamento temporário de Roncaglio dá mais liberdade para que as investigações sejam realizadas. ''Os fatos têm que ser bem apurados e não é do feitio desse governo acusar ninguém sem provas. Mas o que é importante frisar é que independente do caso, o governo Requião não é complacente com ninguém, e se forem comprovadas as irregularidades a punição será exemplar'', destacou Pugliesi.

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