Brasília - Depois de ouvir sucessivos apelos de parlaue se afaste da presidência do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) subiu à tribuna da Casa para se defender das acusações de espionagem contra os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Renan disse ser inocente e afastou temporariamente seu assessor especial, Francisco Escórcio, que teria viajado a Goiânia (GO) para reunir provas contra os dois senadores.
''Determino à Casa que abra sindicância e o afastamento do servidor até a conclusão desta sindicância. Estou aqui desmentindo mais esta infâmia, e sei que poderei responder a outras na próxima semana. Eu não tenho o direito de recuar. Eu tenho um mandato a cumprir. Eu vou até o limite das minhas forças para defender minha honra, provar a verdade, dizer aos meus eleitores e minha família que sou homem digno de ficar com o meu mandato'', enfatizou Renan.
Em um aparte ao discurso de Renan, Perillo questionou os motivos que levaram o presidente do Senado a não demitir sumariamente o seu assessor. ''A pergunta é se esse episódio requer apenas o afastamento temporário deste servidor, mas não a demissão sumária desse assessor. Com isso, daria ao Brasil a impressão de que está absolutamente isento nesse episódio'', defendeu Perillo.
Renan disse que precisa assegurar ao assessor o ''pleno direito de defesa'', por isso não pode afastá-lo definitivamente do cargo. ''Não quero prejulgar, quero que os fatos se aclarem. Enquanto não tivermos a conclusão, que o servidor fique afastado, tenha garantido o seu direito de defesa.''
Ao chegar à Casa Legislativa ontem, Renan disse que ''jamais autorizaria'' seus assessores a reunir material para ser usado como chantagem contra outros parlamentares.
''Nada disso que falaram faz parte da minha formação como homem público, como democrata. Eu jamais autorizaria, permitiria que alguém fizesse isso com nenhum outro senador. Pelo contrário. Eu que tive a minha vida e da minha família devassada à luz do dia.''
Em seguida, durante discurso de mais de 15 minutos, Renan reiterou inocência em todas as denúncias de que é acusado de quebra de decoro parlamentar. O presidente do Senado atacou a imprensa que, segundo ele, faz ataques sistemáticos para tirá-lo do cargo. ''Em todos os momentos que as velhas denúncias vão ficando frágeis, busca-se uma nova trama para envenenar o ambiente aqui no Senado e alimentar artificialmente essa crise. A tática é conhecida.''
Pelo menos cinco senadores cobraram de Renan, frente a frente o seu afastamento da presidência da Casa: Arthur Virgílio (PSDB-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Aloizio Mercadante (PT-SP). O presidente do Senado aceitou debater com todos os senadores, mas ao ter o afastamento cobrado por Mercadante, encerrou a discussão.
''Infelizmente vou encerrar o meu discurso e me abstenho de comentar o aparte de Vossa Excelência'', disse Renan.

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