O presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), defendeu ontem a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias relacionadas à área bancária, entre as quais constaria a acusação de que ele teria desviado R$ 10 milhões do Banco do Estado do Pará (Banpará) no período em que era governador.
Ele também quer que sejam apurados os nomes dos favorecidos pela ‘‘pasta rosa’’ do Banco Econômico, que conteria documentos de contribuição ilegal para campanhas eleitorais; supostas contas fantasmas do Citibank em Salvador, ‘‘que envolveria PC Farias (o empresário Paulo César Farias)’’; e as contas que, de acordo com o senador, a construtora OAS mantém na Suíça e nas Ilhas Virgens Britânicas, envolvendo ‘‘sócios e familiares dos proprietários da empresa’’ – referindo-se ao senador e desafeto Antonio Carlos Magalhães (PFL–BA).
‘‘Vamos colocar tudo num balaio para apurar tudo’’, afirmou, logo que chegou ao Senado, pela manhã. ‘‘Assim, daríamos à opinião pública a oportunidade de conhecer todos os detalhes.’’
À tarde, o senador reiterou a proposta. Ele disse esperar que um dos colegas dele concretize a idéia. Mas não convenceu nem a oposição nem parlamentares do PFL.
Para o líder do bloco oposição, no entanto, senador José Eduardo Dutra (SE), ‘‘tudo não passa de um jogo de cena’’. ‘‘Se ele fizer o requerimento, a oposição toda assina’’, assegurou. Tampouco o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), e o senador Waldeck Ornélas (PFL-BA) acreditaram na seriedade da proposta de Jader. ‘‘A CPI não vai ocorrer porque a base não quer’’, argumentou Oliveira. Para Ornelas, só seria justificada a criação de comissões para fazer investigações específicas e não generalizadas, como quer o presidente do Senado.

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