Acusado aponta vácuo de tempo que o inocentaria
A FOLHA tentou contato com o tenente-coronel Antônio Carlos de Pessôa por mais de uma ocasião. Em uma delas, após a insistência de que ele viajava pelo Paraná a serviço, a manifestação ficou a cargo do subcomandante do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada, Gérson Rolim da Silva, que se disse autorizado a falar como ''porta-voz'' de Pessôa para o assunto. O ex-instrutor da Aman está em Apucarana há um ano.
No dia seguinte, foi o comandante quem falou sobre o caso - negando a acusação sistematicamente. De acordo com Pessôa, ele teria visto o cadete pela última vez às 6h30 daquele dia. O rapaz faleceu horas depois, já por volta de 14h30.
''Nenhum ato meu concorre para essa condenação; não há qualquer efeito de causa e consequência (na morte de Lapoente). Ele morreu devido a choque térmico, e tão logo passou mal, foi atendido por umn médico'', afirma, para completar: ''O rapaz passou pelas mãos de 12 profissionais de saúde. Houve um equívoco inicial de diagnóstico, mas às 14h eram os médicos, e não eu, que cuidavam dele. Outros cadetes passaram mal, o único caso grave foi o dele. Mas a parte médica não é a mim que se tem de perguntar'', eximiu-se.
Questionado sobre as acusações da família do jovem, que denuncia supostos maus tratos cometidos por Pessôa no período anterior à intervenção médica, o oficial rebate: ''Foi um treinamento previsto, e logo que passou mal, determinei que ele fosse para o hospital. Tudo bem que a condenação é algo da Justiça, mas eu era o segundo mais novo (no comando); as decisões não eram unicamente minhas - mas nada era ocultado. As testemunhas que eles (os Lapoente) alegam não viram nada do que dizem, qualquer afirmação dessas é inverídica'', afirmou.
Casado e pai de dois filhos, o oficial do Exército designado de Brasília (DF) para Apucarana garante que vai recorrer da sentença que o obriga a desembolsar multa de R$ 1 milhão, mais pensão mensal de R$ 3 mil à família do jovem morto. Se algo mudou desde então? Na vida profissional, ele diz que não. ''Desde que comecei a enfrentar (o processo), têm sido normais minhas atividades profissionais, continuo exercendo minha função compatível com meu posto e minha graduação'', destaca. Em relação à vida pessoal: ''Você acha que não é um incômodo para o resto da vida ser acusado por algo que não fez?'' (J.G.)





