Campo Grande, MS - Apontado como o mandante do assassinato da prefeita Dorcelina Folador (PT), morta em outubro de 1999, Jusmar Martins da Silva, 37, disse ontem durante interrogatório em seu julgamento que o crime foi encomendado pelo então vice-prefeito Kleber Corrêa de Souza, na época no PMDB.
Até o fechamento deste edição o julgamento de Martins não havia acabado. Dorcelina era prefeita de Mundo Novo (470 km ao sul de Campo Grande), e Souza assumiu o cargo por 14 meses após o assassinato.
Martins, preso desde 1999, disse que Souza ''ofertou R$ 200 mil'' para não ser apontado como o mandante do crime. O assassinato foi motivado, segundo Martins, porque a prefeita se negou a receber R$ 1,2 milhão em propina para perdoar dívidas que o município tinha para receber.
Na versão de Souza, que deixou a política e atua como advogado, Martins, que era seu cunhado, quer reduzir a pena ao apontá-lo como mandante do crime e faz isso por vingança. ''A minha irmã se separou dele e ele resolveu descontar tudo em cima de mim'', afirmou.
Na administração de Dorcelina, Martins foi secretário municipal de Agricultura e assumiu a Secretaria Municipal de Finanças quando Souza se tornou prefeito.
A Justiça condenou em abril a 18 anos de prisão Getúlio Machado, 32, que, no entendimento dos jurados, deu seis tiros em Dorcelina.
Também foi condenado Roldão Teixeira de Carvalho (a 10 anos e 4 meses de prisão) em fevereiro. Carvalho é apontado como o intermediário entre o mandante do crime e autor.
Theófilo Stocker, 59, vai cumprir 13 anos e 6 meses de prisão por ter escondido a arma do crime. Valdenir Machado, 35, e Ismael Meurer Silveira, 32, tiveram penas aplicadas de 13 anos de reclusão cada um.

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