O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), fez ontem um apelo indireto ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), seu maior adversário, para que mantenha o decoro parlamentar no discurso que fará hoje. Jader disse que vai presidir a sessão e ouvir ‘‘com atenção’’ todos os discursos. ‘‘Não trabalho com a hipótese de ser agredido (por ACM). Mas lembro que todos os senadores devem manter o decoro parlamentar’’, disse Jader.
O senador não comentou as previsões de que seu antecessor irá fazer novas denúncias contra ele – por supostas aplicações com dinheiro desviado – ou contra ministros do PMDB, tentando atingi-lo. ‘‘Não vou fazer especulação sobre pronunciamentos de colegas’’, esquivou-se Jader, mantendo o tom conciliador.
Tentando bombardear a candidatura de Jader à sua sucessão, Antonio Carlos passou dez meses apresentando denúncias contra o presidente do PMDB e seus aliados, como o ministro Eliseu Padilha (Transportes), o líder do partido na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), e dirigentes da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Jader também se esquivou de comentar as informações de que ACM vai defender a criação de uma CPI para investigar supostas irregularidades em portos -principalmente aqueles que estão na área de influência do PMDB. ‘‘A CPI é um instrumento de grande importância na vida parlamentar. Não sou contra nenhuma CPI, desde que o objetivo seja servir ao Brasil’’, disse.
Jader voltou a mostrar que tentará evitar confrontos com ACM. Disse que o PFL é um grande partido e que não defenderá nunca a exclusão do partido de ACM da base aliada. Ele minimizou os embates com o baiano, classificando-os como ‘‘um episódio eleitoral do Congresso que devemos superar’’.

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