'Acusações são mentirosas', diz presidente do Senado
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - Na véspera da votação do relatório que pede a cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) discursou ontem por mais de meia hora no plenário da Casa para rebater todas as denúncias de que é acusado. O presidente do Senado disse que, depois de cem dias como alvo de acusações, ninguém conseguiu comprovar nenhuma das ''mentiras'' de que é vítima.
''Eu só listei dez das mentiras que foram, uma a uma, demolidas com documentos. Repito: todas foram demolidas com documentos que eu apresentei. Até hoje, não apresentaram um só documento contra mim. O que restou de tantas acusações? Absolutamente, nada. As acusações viraram pó.''
Renan também defendeu a votação secreta no conselho, apesar de afirmar que não vai interferir na decisão dos senadores, que na semana passada aprovaram o voto aberto no relatório.
''Como presidente da instituição não posso deixar de registrar que o Direito Constitucional está sendo esmagado em nome da continuidade do linchamento. (Com o voto aberto), abre-se uma chaga incicatrizável na parte mais sensível do ordenamento jurídico. Por essa ferida, por essa lesão profunda, eu não quero ser cúmplice nem coadjuvante.''
Renan disse que a votação aberta no Conselho de Ética vai se tornar um ''grave precedente, um erro jurídico e um açodado atropelo perpetrado pela conveniência política de alguns poucos''. Mas ressaltou que, apesar de discordar da decisão do conselho, não vai usar das prerrogativas do cargo para revertê-la.
Sobre a mais recente denúncia de envolvimento em um esquema de desvio e lavagem de dinheiro, Renan disse que ela é falsa. ''De tão débil, eu optaria por desprezá-la. Mas por respeito ao Senado, não posso deixar de dar uma satisfação. Trata-se de mais uma mentira, uma briga familiar que ganhou generosas páginas porque citaram meu nome lembrando matérias antigas'', afirmou.
Segundo Renan, o fato é ''inteiramente falso'' e não teve o seu valor acolhido pela Justiça. ''Não vou mais compactuar para que essa esquizofrenia se transforme em demência'', afirmou. Renan foi acusado pelo advogado Bruno Miranda Lins, ex-marido de uma de suas funcionárias, de integrar o esquema de desvio de dinheiro.


