Em abril desse ano, três ex-funcionários comissionados do vereador Custódio da Silva fizeram uma denúncia pública segundo a qual eles eram obrigados a devolver parte de seus salários ao gabinete. Dos cerca de R$ 3 mil que eram depositados em suas contas bancárias pela Câmara, os funcionários disseram que tinham de entregar ao vereador mais de R$ 2 mil todos os meses.
A partir dessa denúncia, a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público abriu a investigação e constatou que entre 1993 e 1999 era comum a prática de retenção entre 70% e 90% dos salários de funcionários comissionados do vereador. Nesse período, 25 pessoas ligadas a Custódio ocuparam cargos comissionados.
As denúncias geraram um ação civil pública por improbidade administrativa e uma ação penal por peculado contra o vereador. O Ministério Público (MP) quer a devolução dos valores à Câmara. Paralelo às ações do MP, o Legislativo abriu um inquérito administrativo, que foi arquivado.
Outros quatro vereadores estão sendo investigados pela Promotoria pelo mesmo motivo. Antes de terminar o período de coleta de provas os promotores não divulgam os nomes dos investigados.
O MP solicitou o afastamento de Custódio da Câmara, mas ele pediu licença antes do requerimento ser votado. E voltou ao Legislativo um mês depois e foi reeleito. Os promotores recorreram, então, ao Tribunal de Justiça (TJ) para afastá-lo, mas o recurso ainda não foi julgado.
Durante as investigações de retenção de parte do salário dos funcionários, o MP descobriu uma fraude na destinação da verba de assistência a que o vereador tinha direito. (E.C.)

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